Lula é mais patriota que Flávio Bolsonaro, de quem o eleitor mais teme
Diagnóstico da pesquisa Quaest desta quarta-feira mostra presidente à frente do adversário no discurso de defesa do Brasil, menor rejeição e vantagem no quesito medo do eleitor
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 10/06/2026 às 06:20 | Atualizado em: 10/06/2026 às 07:37
A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (10), traz um retrato que favorece o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no terreno simbólico da disputa presidencial de 2026.
O levantamento indica que os brasileiros veem Lula como mais identificado com a defesa dos interesses nacionais do que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Mais que isso: aponta que o principal nome do bolsonarismo desperta mais temor entre os eleitores.
Ao serem questionados sobre quem melhor representa o patriotismo e a defesa dos interesses do Brasil, 47% dos entrevistados citaram Lula, contra 37% que escolheram Flávio Bolsonaro. Outros 10% disseram que nenhum dos dois representa melhor esse discurso, enquanto 6% não souberam responder.
Patriotismo
O resultado chama atenção porque o tema da pátria, das cores verde e amarela e do nacionalismo político esteve historicamente associado ao bolsonarismo.
No entanto, segundo a leitura apresentada pela GloboNews sobre os dados da Quaest, a crise envolvendo a aproximação da família Bolsonaro com interesses políticos dos Estados Unidos e os debates em torno das tarifas impostas ao Brasil acabaram fortalecendo a imagem de Lula como defensor dos interesses nacionais.
Medo
Outro dado relevante do levantamento diz respeito ao sentimento de medo provocado pelos dois principais polos da disputa política brasileira. A pesquisa perguntou diretamente aos entrevistados qual dos dois desperta mais temor.
Nesse quesito, Flávio Bolsonaro aparece à frente. Para 44% dos entrevistados, ele é quem gera mais medo. Lula foi citado por 40%. Outros 8% afirmaram ter medo dos dois, enquanto apenas 4% disseram não temer nenhum deles.
Rejeição
O indicador é considerado estratégico por especialistas em opinião pública porque ajuda a explicar comportamentos eleitorais em disputas polarizadas. Em cenários de segundo turno, o voto muitas vezes é motivado não apenas pela preferência por um candidato, mas também pela rejeição ao adversário.

A pesquisa também mostra uma melhora gradual na situação de Lula no principal termômetro da disputa: a rejeição eleitoral.
Na série histórica apresentada pela Quaest, Lula aparece com 53% de eleitores que afirmam conhecê-lo, mas não votariam nele. Embora o índice permaneça elevado, ele deixou de liderar isoladamente esse ranking.
Flávio Bolsonaro agora registra 56% de rejeição, numericamente acima da de Lula. O cenário representa uma inversão observada em relação aos primeiros meses do ano, quando o presidente aparecia à frente do adversário nesse indicador.
Influências
A diferença entre os dois está dentro da margem de erro da pesquisa, mas sinaliza uma tendência observada pelos analistas: o desgaste recente do bolsonarismo, impulsionado por episódios envolvendo o chamado caso Dark Horse e as revelações relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O levantamento ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada com o número BR-07661/2026.
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Fotos: reprodução
