MP-AM deflagra operação contra o crime organizado em Parintins e fiscaliza presídio

Ação apreendeu celulares, armas e drogas na unidade prisional; investigação aponta que ordens de facções partiam de dentro da cadeia para a expansão de territórios nas zonas urbana e rural.

MP-AM deflagra operação contra o crime organizado em Parintins e fiscaliza presídio

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 11/06/2026 às 13:33 | Atualizado em: 11/06/2026 às 13:42

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da 1ª Promotoria de Justiça de Parintins, deflagrou nesta quinta-feira (11/06) a operação Convergência Nacional – Amazonas 01. A ofensiva cumpriu seis mandados de busca e apreensão, medidas de quebra de sigilo e realizou uma fiscalização extraordinária no presídio do município.

A ação integrada mobilizou as Polícias Militar e Civil, a Companhia Independente com Cães da PMAM e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). O foco principal é colher provas e sufocar o avanço de facções criminosas na região.

Celulares, armas e anotações apreendidos no presídio

De acordo com as investigações do Gaeco, lideranças encarceradas estariam emitindo ordens de dentro da unidade prisional para o cometimento de crimes no município. Diante disso, a varredura no presídio foi considerada estratégica pelas autoridades para interromper o fluxo de comunicação dos criminosos.

Durante a inspeção nas celas, foram apreendidos:

  • 19 aparelhos celulares;
  • Armas e substâncias entorpecentes;
  • Cadernos com anotações ligadas à atividade do crime organizado.

Paralelamente, as diligências externas ocorreram tanto na área urbana quanto na zona rural de Parintins, visando comunidades monitoradas por indícios de expansão territorial e fortalecimento ilícito, como Vila Amazônia, Zé Açu, Castanhal e Teixeirão.

Combate à ocupação de territórios e vulnerabilidade social

A procuradora-geral de Justiça (PGJ), Leda Mara Albuquerque, enfatizou que o objetivo central do Ministério Público é frear a tentativa das facções de assumirem funções que competem ao Estado. Segundo a chefe do MPAM, os criminosos utilizam ocupações irregulares e a vulnerabilidade social para aliciar jovens e expandir a influência do tráfico.

“O enfrentamento ao crime organizado, hoje, vai muito além do combate ao tráfico de drogas. Estamos atuando para impedir que essas organizações ocupem territórios, explorem pessoas vulneráveis e tentem assumir espaços que pertencem ao Estado. Não vamos permitir que o tráfico domine comunidades”, afirmou a procuradora-geral.

Estratégia nacional com foco no interior do AM

A investida em Parintins marca o início de uma mobilização nacional no estado. O coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Leonardo Tupinambá do Valle, explicou que a Operação Convergência Nacional une os Ministérios Públicos de todo o país sob a coordenação do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC).

“Esta é a primeira etapa da operação no Amazonas. Começamos por Parintins, mas nossa atuação será levada a outras cidades onde identificamos a atuação de facções criminosas. O objetivo é fortalecer as investigações, reunir provas e avançar, nas próximas fases, com novas medidas judiciais para responsabilizar os integrantes dessas organizações”, destacou o coordenador.

A operação contou também com a atuação da promotora de Justiça Priscila Pini, integrante do Gaeco, em conjunto com membros da 1ª Promotoria de Justiça de Parintins e as forças de segurança locais.

O Centro de Apoio Operacional de Combate ao Crime Organizado (Caocrimo) informou que as investigações seguem em andamento e todos os procedimentos correm dentro do devido processo legal, assegurando aos investigados os direitos constitucionais de ampla defesa e presunção de inocência. O material apreendido agora passará por análise minuciosa para subsidiar futuros pedidos de prisão.

Veja vídeos da operação:

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Fotos e vídeos: divulgação