Mesma água, Solimões desce no alto rio e sobe no médio
Enquanto o nível recua em Tabatinga, as águas seguem avançando em Tefé e revelam diferentes momentos da cheia no Amazonas.
Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 12/06/2026 às 10:01 | Atualizado em: 12/06/2026 às 10:03
Os rios da Amazônia raramente seguem o mesmo ritmo. Neste mês junino, o Solimões mostra um retrato curioso da cheia ao apresentar comportamentos distintos ao longo de seu percurso pelo Amazonas.
Enquanto o nível das águas continua recuando em Tabatinga, no alto Solimões, o movimento segue na direção oposta no lago Tefé, no médio rio, que registra tímida elevação.
Em Tabatinga, o Solimões baixou 10 centímetros entre os dias 11 e 12 de junho, passando de 11,25 metros para 11,15 metros. A tendência de queda vem desde o início do mês. Em 1º de junho, o rio marcava 11,73 metros. Portanto, perdeu 58 centímetros de água em menos de duas semanas.
Já no município de Tefé, os dados da régua instalada no flutuante-base do Instituto Mamirauá apontam avanço das águas. Entre os dias 10 e 11 de junho, o lago Tefé subiu dois centímetros, alcançando 19,03 metros.
O comportamento também aparece na série recente de medições. Em 28 de maio, o lago registrava 18,86 metros. Desde então, os números avançaram de forma gradual até ultrapassar a marca dos 19 metros.
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Dinâmica
A diferença entre os dois cenários ajuda a explicar uma característica marcante dos rios amazônicos.
Por percorrer grandes distâncias e receber água de vários afluentes, o Solimões não responde de forma uniforme às chuvas em toda a sua extensão.
Isso faz com que municípios do alto Solimões, como Tabatinga, Benjamin Constant, Atalaia do Norte, já observem sinais de vazante, enquanto cidades localizadas mais adiante ainda acompanham a subida das águas.
Considerado um dos principais cursos d’água da Amazônia, o Solimões atravessa centenas de quilômetros dentro do Amazonas antes de encontrar o rio Negro, em Manaus.
Ao longo desse caminho, cada trecho reage de maneira própria às condições climáticas da região.
Por isso, mesmo correndo no mesmo curso, cada povoado vive sua própria estação, como se o rio guardasse histórias únicas em cada curva, nas águas grandiosas e misteriosas da Amazônia.
Foto: divulgação/Defesa Civil de Tabatinga
