Alberto Neto denuncia suspensão de operações do Exército na Amazônia
Parlamentar acionou o Ministério da Defesa para cobrar explicações sobre o impacto do contingenciamento no combate ao narcotráfico.
Publicado em: 16/06/2026 às 13:07 | Atualizado em: 16/06/2026 às 13:09
O deputado federal Alberto Neto (PL-AM) questionou formalmente o Ministério da Defesa sobre a suspensão de operações do Exército brasileiro, nas regiões de fronteira da Amazônia, em razão do bloqueio no orçamento federal.
“O Brasil apaga as luzes na fronteira. A retirada do Exército das faixas de fronteira cria um vácuo de poder imediato, permitindo uma rápida ocupação dessas áreas pelo crime organizado”, declarou o parlamentar.
No documento protocolado, Alberto Neto destaca que, dos R$ 4,3 bilhões bloqueados no orçamento do Ministério da Defesa, aproximadamente R$ 1,5 bilhão afeta diretamente o Exército.
A medida, segundo ele, compromete ações conduzidas pelo Comando Militar da Amazônia (CMA) e pelo Comando Militar do Oeste (CMO), responsáveis pela vigilância de algumas das áreas mais estratégicas do território nacional.
O deputado ressaltou que a limitação de recursos impacta diretamente o combate ao tráfico de drogas, ao contrabando e às organizações criminosas, além de representar um evidente risco à segurança nacional, especialmente pela redução da presença do Estado nas fronteiras com a Venezuela, a Colômbia e o Peru.
Para Alberto Neto, a medida representa um retrocesso estratégico que abre caminho para o avanço das facções criminosas, com consequências devastadoras para as populações do interior da Amazônia.
“A região amazônica faz fronteira direta com países que estão entre os maiores produtores de cocaína do mundo. Nossas calhas de rios são consideradas corredores estratégicos para o tráfico internacional de drogas, além de concentrarem crimes como contrabando, extração ilegal de madeira, garimpo clandestino e desmatamento. É justamente nessa área que o Exército está sendo obrigado a deixar de atuar por falta de recursos”, alertou.
Fiscalização comprometida
Na avaliação do deputado, o corte de verbas compromete o planejamento dos Comandos Militares da Amazônia e do Oeste. Entre as iniciativas mais afetadas está a Operação Ágata, realizada periodicamente pelas Forças Armadas em cooperação com órgãos de segurança e fiscalização.
Somente em 2026, antes dos impactos do contingenciamento, a operação já apreendeu mais de 15 toneladas de entorpecentes e destruiu estruturas de garimpo ilegal.
“As divisas com Bolívia, Colômbia e Paraguai são as principais portas de entrada da cocaína, da maconha e do armamento pesado que abastecem os grandes centros urbanos do país. No Amazonas, são milhares de quilômetros de selva com fiscalização reduzida. Essa é a realidade cotidiana de municípios inteiros que acabam se tornando reféns do narcotráfico e das facções criminosas”, explicou o parlamentar.
Ameaça à soberania nacional
O deputado também apontou uma incoerência do governo diante de um cenário internacional em que facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) vêm sendo classificadas como organizações terroristas por países como os Estados Unidos.
Segundo ele, enquanto a comunidade internacional alerta para o fortalecimento dessas organizações na América do Sul, o Governo Federal segue na contramão ao comprometer o orçamento das Forças Armadas.
Para o parlamentar, uma gestão que afirma estar comprometida com a segurança pública e com a soberania da Amazônia precisa explicar à sociedade como permite um corte de R$ 4,3 bilhões na Defesa e a consequente suspensão de operações responsáveis pela proteção das fronteiras brasileiras.
“Esse falso comprometimento deixa populações ribeirinhas e comunidades indígenas à mercê do crime organizado. O crime não espera o governo encontrar recursos ou realizar ajustes fiscais. É inaceitável que a segurança das fronteiras do Brasil seja tratada com tamanho descaso. O Governo Federal precisa entender que, quando o Estado recua, o tráfico avança”, concluiu Alberto Neto.
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Foto: divulgação
