Defesa Civil mobiliza 20 ministérios contra impactos do El Niño

“Ministro da Emergência”, Waldez Góes, detalha ações para seca severa na Amazônia diante da previsão de emergência climática ainda este ano

Defesa Civil mobiliza 20 ministérios contra impactos do El Niño

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 18/06/2026 às 13:46 | Atualizado em: 18/06/2026 às 13:46

O governo federal já trabalha com a perspectiva de um forte evento de El Niño a partir do segundo semestre de 2026 e prepara um plano nacional de contingência para enfrentar os impactos climáticos previstos, especialmente na Amazônia e no Nordeste.

A informação foi dada pelo ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, durante entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, nesta quinta-feira (18 de junho), que contou com a participação do BNC Amazonas.

Segundo o ministro, o governo já mobilizou 20 ministérios em uma sala de situação coordenada pela Casa Civil para monitorar os efeitos do fenômeno climático, que deve começar a se intensificar entre julho e agosto, alcançando seu período mais crítico entre outubro e dezembro.

“O Brasil está preparado permanentemente, está em vigilância permanente e mobilizado permanentemente para dar resposta à sociedade”, afirmou o ministro durante a entrevista.

Entre as regiões mais vulneráveis aos efeitos do fenômeno está a Amazônia. De acordo com Waldez Góes, a previsão é de redução das chuvas, agravamento da estiagem, dificuldades de navegação nos rios, problemas de abastecimento e aumento do risco de queimadas e incêndios florestais.

O ministro lembrou que a experiência das secas históricas registradas recentemente no Amazonas e em outros estados amazônicos serviu de base para o planejamento atual.

“A gente sabe que a seca mais forte no Norte e Nordeste vai exigir respostas rápidas. O importante é chegar com medicamentos, alimentação e água antes do isolamento das comunidades”, destacou.

O “Ministro da Emergência”, como é chamado, lembrou que, nos últimos anos, a Amazônia enfrentou algumas das piores estiagens já registradas, com rios atingindo níveis historicamente baixos, interrupção do transporte fluvial, dificuldades de abastecimento e impactos econômicos em municípios dependentes da navegação.

E que o governo federal já vinha alertando sobre a possibilidade de um novo ciclo de seca severa associado ao fortalecimento do El Niño.

Plano nacional de contingência

O BNC Amazonas questionou o ministro sobre como o governo federal pretende enfrentar os efeitos do El Niño de 2026 e 2027 na Amazônia. A pergunta abordou o plano nacional de contingência, os recursos disponíveis e as ações específicas para evitar que a região repita os problemas observados durante as secas recentes.

Na resposta, Waldez Góes afirmou que o governo já iniciou medidas preventivas voltadas à Amazônia, incluindo a liberação de recursos para órgãos ambientais e a preparação de ações integradas entre diversos ministérios.

“Já tem uma medida provisória assinada pelo presidente Lula – no valor de R$ 337,7 milhões – destinando recursos para o ICMBio e para o Ibama. O Amazonas sofreu não só com a estiagem, mas também com incêndios florestais que comprometeram a qualidade do ar”, respondeu.

O ministro ressaltou que o plano de enfrentamento não ficará restrito à Defesa Civil Nacional. Segundo ele, haverá atuação conjunta dos ministérios da Saúde, Desenvolvimento Social, Educação, Portos e Aeroportos, além do emprego da estrutura logística das Forças Armadas para alcançar áreas isoladas da Amazônia.

Além das medidas emergenciais, o governo aposta em projetos estruturantes e na vigilância permanente para garantir a segurança hídrica e a assistência humanitária.

Waldez Góes reiterou que a integração entre as instâncias federal, estadual e municipal é fundamental para que os planos de contingência locais funcionem e as orientações de evacuação sejam respeitadas pela sociedade em momentos críticos.

Seca histórica no Amazonas

Durante a entrevista, Waldez Góes utilizou exemplos do Amazonas para demonstrar a complexidade logística enfrentada pela região durante períodos de estiagem extrema.

Ele lembrou que existem municípios amazonenses onde uma viagem de barco até Manaus pode levar uma semana em condições normais. Durante a seca, porém, algumas localidades ficam inacessíveis até mesmo para embarcações.

“Têm municípios no Amazonas que levam uma semana para chegar a Manaus de barco. Quando a estiagem é severa, nem de barco se chega. Só é possível levar alimentos, remédios e água por via aérea”, afirmou.

Por isso, segundo o ministro, a estratégia do governo é antecipar o envio de suprimentos antes que o isolamento aconteça.

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Queimadas entram no radar

Outro ponto de preocupação é o aumento do risco de queimadas e incêndios florestais.

Waldez Góes destacou que o Amazonas sofreu fortemente com a fumaça provocada pelos incêndios registrados durante a última grande seca e afirmou que o governo já começou a destinar recursos para ações preventivas.

A preocupação também foi reforçada recentemente pelo governo federal. O Ministério do Meio Ambiente já anunciou ampliação do monitoramento, aumento do número de brigadistas e reforço de equipamentos para o combate ao fogo diante do risco de um “super El Niño”.

Defesa Civil Alerta

Uma das principais apostas do governo para reduzir perdas humanas é o sistema Defesa Civil Alerta.

A ferramenta utiliza a tecnologia Cell Broadcast para enviar mensagens emergenciais diretamente aos celulares localizados em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio.

Segundo o ministro, o sistema já está disponível em todo o país e deverá ser amplamente utilizado durante os períodos de maior risco climático.

Ao longo da entrevista, Waldez Góes reforçou diversas vezes que a estratégia do governo federal é abandonar a lógica de atuação apenas após os desastres e fortalecer a prevenção.

“O Brasil precisa criar uma cultura do risco. Trabalhar antes que o desastre aconteça, com monitoramento, alerta precoce e planos de contingência”, afirmou.

Com a previsão de intensificação do El Niño entre o fim de 2026 e parte de 2027, a Amazônia deverá permanecer no centro da estratégia nacional de adaptação climática, tanto pela vulnerabilidade de suas populações ribeirinhas e indígenas quanto pelo impacto da seca sobre a logística, a economia regional e a preservação da floresta.

Foto: Diego Campos/Secom-PR