OCDE diz que BNDES é peça-chave no avanço da bioeconomia na Amazônia

Para o fórum internacional, que reúne 38 países desenvolvidos e emergentes, a bioeconomia representa uma alternativa concreta para gerar valor econômico de forma sustentável

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 20/06/2026 às 07:00 | Atualizado em: 19/06/2026 às 18:55

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou estudo no qual aponta o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como fundamental na viabilização da bioeconomia como vetor de desenvolvimento sustentável na Amazônia.

Para o fórum internacional, que reúne 38 países desenvolvidos e emergentes, a bioeconomia representa uma alternativa concreta para gerar valor econômico de forma sustentável, mantendo a floresta em pé e fortalecendo as economias locais.

Segundo o BNDES, o reconhecimento ocorre em um contexto de ampliação dos investimentos na agenda de sociobiodiversidade do Fundo Amazônia, gerido pelo banco e sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Desde a retomada de sua governança, em 2023, o Fundo Amazônia quadruplicou o ritmo anual de aprovações de projetos, com a média passando de cerca de R$ 300 milhões para R$ 1,3 bilhão por ano.

“Ao completar 18 anos, o mecanismo soma R$ 5,3 bilhões em doações e 153 projetos aprovados, beneficiando mais de 650 organizações, 169 Terras Indígenas, 192 Unidades de Conservação e cerca de 260 mil pessoas na Amazônia Legal”, diz nota da instituição.

Escala

Após quatro anos paralisado, o banco diz que o Fundo Amazônia entrou numa nova fase com ampliação de escala e capilaridade dos projetos de sociobioeconomia.

“O foco está na inclusão produtiva de povos indígenas, quilombolas, agricultores familiares e comunidades tradicionais, promovendo geração de renda aliada à conservação ambiental”, explica o banco.

Entre os principais projetos apoiados está o Restaura Amazônia, com R$ 450 milhões voltados à recuperação de áreas degradadas no Arco do Desmatamento até 2030.

O projeto visa restaurar 15 mil hectares de vegetação nativa em Unidades de Conservação (UC), Terras Indígenas (TI), Assentamentos da Reforma Agrária e imóveis rurais.

Quase do tamanho de Natal (RN), as áreas estão localizadas em três macrorregiões nos estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Tocantins, Pará e Maranhão.

Outro programa é o Amazônia na Escola para o qual o banco destina até R$ 336 milhões. O objetivo é integrar a produção de agricultores familiares ao abastecimento da rede pública de ensino, incentivando alimentação saudável e sustentável.

Na frente de inclusão social e infraestrutura, o Sanear Amazônia prevê R$ 150 milhões para ampliar o acesso à água potável e apoiar mais de 4.600 famílias rurais.

O projeto Coopera, em parceria com o Sebrae, investe R$ 107 milhões no fortalecimento de cerca de 50 cooperativas e 6.400 produtores.

O Fundo também atua na ampliação do acesso a mercados. O projeto Amazônia Viva, da Conab, mobiliza R$ 96 milhões para apoiar organizações produtivas, enquanto a chamada pública para cadeias de valor sustentáveis reúne mais de R$ 160 milhões e já beneficia mais de 25 mil pessoas.

Outros projetos estruturantes somam mais de R$ 340 milhões, com foco em assistência técnica, agregação de valor e articulação territorial.

Foto: Divulgação