Ong do filme de Bolsonaro passou R$ 12 milhões em notas fiscais suspeitas

Prefeitura de São Paulo cobra explicações sobre prestação de contas e aponta irregularidades em contrato de R$ 108 milhões.

Publicado em: 08/07/2026 às 10:40 | Atualizado em: 08/07/2026 às 10:47

A Prefeitura de São Paulo identificou inconsistências em mais de R$ 12 milhões em notas fiscais apresentadas pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização comandada pela empresária Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia deu 30 dias para que a ONG apresente documentos e justificativas técnicas. Além disso, determinou a devolução de R$ 906,7 mil referentes a notas fiscais canceladas que constam na prestação de contas do contrato de R$ 108 milhões para instalação de internet gratuita em bairros da capital paulista.

Segundo a prefeitura, os responsáveis pelas despesas apresentaram documentos fiscais cancelados ou sem detalhamento suficiente para comprovar os serviços executados. Entre as empresas citadas estão JR Feijão Ltda., Favela Conectada, Complexsys Soluções Integradas, Make One Tecnologia Digital e Ultra IP Tecnologia.

As inconsistências também são alvo de investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo. No mês passado, o ICB e empresas ligadas ao contrato foram alvo de mandados de busca e apreensão durante uma operação que apura possíveis irregularidades.

Em nota, Karina da Gama afirmou que os apontamentos fazem parte do processo normal de análise das prestações de contas e disse que a entidade apresentará todos os esclarecimentos dentro do prazo estabelecido. Já a prefeitura informou que a glosa dos valores ainda é provisória e que a decisão definitiva dependerá da documentação apresentada pela organização.

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Foto: divulgação