“Dono” do Porto de Manaus que ser suplente de Alberto Neto
Empresário ligado à concessão do Porto de Manaus é citado por Ronaldo Tiradentes como possível suplente de Alberto Neto; movimentação já havia sido antecipada nos bastidores da política amazonense
Neuton Corrêa, da Redação do BNC AMAZONAS
Publicado em: 25/07/2026 às 03:00 | Atualizado em: 25/07/2026 às 07:02
As convenções partidárias começaram oficialmente, mas parte das articulações mais delicadas da eleição de 2026 continua longe dos palcos e dos discursos. Uma delas envolve um personagem praticamente desconhecido da maioria dos amazonenses, mas bastante influente nos bastidores da política e dos negócios: o empresário Alessandro Bronze Toniza.
Na noite desta sexta-feira (24), o empresário e apresentador Ronaldo Tiradentes tornou pública uma informação que já circulava reservadamente entre lideranças políticas do estado. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou ter recebido a informação de que Alessandro Bronze estaria sendo cogitado para ocupar a primeira suplência da candidatura ao Senado do deputado federal Alberto Neto (PL).
A composição, até o momento, não foi confirmada oficialmente por nenhuma das partes. Tiradentes, inclusive, tratou o assunto como uma informação de bastidor e aproveitou para fazer um alerta público ao parlamentar.
“Muito cuidado, Alberto Neto. O Alessandro Bronze é uma figura que não vai agregar absolutamente nada de voto. Pelo contrário, pode tirar muito voto do Alberto Neto, caso isso se confirme. Isso é uma cogitação”, afirmou.
A manifestação recolocou em evidência um nome que, embora discreto na cena pública, aparece há anos em conversas políticas e empresariais no Amazonas.
Dono do pior e mais caro porto de Manaus
Ligado à concessão do Porto de Manaus, Alessandro Bronze administra um dos ativos logísticos mais estratégicos da Amazônia. O terminal concentra uma parcela significativa da movimentação hidroviária do estado e é alvo frequente de críticas de passageiros, transportadores e empresários em razão das tarifas cobradas para acesso às suas dependências.
Passageiros em números oficiais
Em 2024, segundo dados da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados e Contratados do Amazonas (Arsepam), mais de 589 mil passageiros utilizaram o transporte hidroviário intermunicipal no estado. Desse total, cerca de 214 mil passaram pelo Porto de Manaus, evidenciando a importância da estrutura para a mobilidade regional.
Bastidor antigo
A eventual entrada de Bronze na política institucional, entretanto, não representa uma novidade absoluta nos bastidores.
Ainda em 2025, o jornalista Hudson Braga, na Coluna do Christo, revelou que o empresário já trabalhava uma engenharia política com vistas a ocupar espaço em uma chapa majoritária. Na época, a informação foi tratada como uma articulação silenciosa, restrita ao círculo das negociações partidárias.
O comentário de Ronaldo Tiradentes indica que essa possibilidade permanece viva às vésperas da definição definitiva das chapas.
Ligações perigosas
Durante o vídeo, o apresentador também mencionou a proximidade política de Alessandro Bronze com o presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, ao defender que Alberto Neto avalie cuidadosamente a eventual composição.
Manobra recorrente
Caso a articulação avance, Alessandro Bronze seguirá um caminho já conhecido na política amazonense: o da suplência ao Senado como porta de entrada para um mandato parlamentar. O empresário paulista Gilberto Miranda percorreu trajetória semelhante ao assumir cadeira no Senado na condição de suplente. Ele ficou no cargo entre 1999 a 2007. Ele era suplente de Amazonino Mendes. Asssi, Miranda tornou-se posteriormente uma das figuras mais conhecidas do empresariado e da política do Amazonas.
Por enquanto, a possível participação de Alessandro Bronze permanece no campo das articulações de bastidor. Mas o fato de seu nome voltar a circular justamente no início das convenções demonstra que, longe dos holofotes, a disputa pelas suplências ao Senado continua sendo um dos capítulos mais movimentados da engenharia política das eleições de 2026.
