Leitura para bebês

Publicado em: 22/10/2008 às 00:00 | Atualizado em: 22/10/2008 às 00:00

A biblioteca do museu mantido pelo Banco da República da Colômbia, em Letícia, capital do Departamento do Amazonas, tem uma sala de leitura para bebês. “Aqui, acompanhados dos pais ou das babás, eles têm o primeiro contato com os livros”, conta a psicóloga e pedagoga Elizabeth Murilb, responsável pelo programa Leitura em família, que já completou dez anos. Ela explica que os resultados dos projetos são animadores: crianças que manuseiam os livros desde os seis meses conseguem ler aos três anos de idade, antes mesmo de freqüentar a escola. Por R$ 3 por ano, o programa conduz os futuros leitores entre a biblioteca e seus lares. Uma vez por semana, os livros são levados até aos bairros. Letícia faz fronteira com o Brasil e com o Peru, na região Amazônica. Confira a entrevista que Elizabeth concedeu ao repórter Wilson Nogueira:

Há quanto tempo existe esse programa de leitura para bebês?
Há dez anos trabalhamos nesse programa que se chama Leitura em Família, que promove a leitura de afeto desde os seis meses de idade.

Qual é a metodologia empregada?
A idéia é aproximar os bebês dos livros através da leitura e da relação direta que eles têm com os seus pais, com suas mamães, com uma figura paterna ou com uma babá quando eles não estiverem acompanhados de seus pais. Essa proximidade de afeto também aproxima os bebes dos livros e os põem em contato direto – e de maneira voluntária – com os livros.

Qual o resultado desse trabalho?
O resultado tem sido um envolvimento das crianças com os livros desde a tenra idade. Também tem resultado na formação de leitores desde os três anos de idade, sem que eles tenham ainda passado pela escola.

Como os pais participam desse projeto?
A biblioteca tem um programa que se chama Leitura em família, que se realiza todas as quartas-feiras, a partir das quatro horas da tarde, com atividades específicas e dirigidas. Porém, os papais e as mamães, que queiram trazer seus filhos à biblioteca, podem vir a qualquer momento. O importante é que eles ponham os seus filhos em contato com os livros. A biblioteca também pode levar os livros à casa deles. Nesse momento temos oitenta bebês inscritos nesse programa. São crianças entre seis meses e quatro anos de idade. As crianças com mais idade são muito mais. Queremos que os livros, para as crianças, sejam uma ferramenta lúdica, de aprendizagem e de utilização do tempo.

Esse projeto ocorre apenas nessa biblioteca ou ele faz parte da política pública do governo colombiano?
Essa é uma política pública de leitura que, neste momento, estamos trabalhando em muitas partes do país. É parte de uma política pública governamental, e eu sou gestora desse projeto e estou promovendo essa experiência em nível nacional. Temos alguma experiência de dez anos e estamos difundindo e demonstrando que os livros e as crianças, desde cedo, podem fazer uma boa parceria.

Qual a participação indígena nesse projeto?
Os indígenas têm uma forma de ser bastante diferente, tranqüila, que temos que respeitar. Com eles o processo de aprendizagem é mais lento por meio dos nossos livros, porque esses livros são pensados para cultura ocidental e não para a cultura indígena. Entretanto, nós também aprendemos por meio dos cantos, dos sinais, da tradição oral e das lendas. Os índios também têm seus cantos, suas festas e suas lendas, e por intermédio dessas atividades que ocorre o primeiro envolvimento das crianças com a palavra. Primeiro se consegue o contato direto da imagem com a palavra. E palavra é experiência. As mães são importantes nesse processo de aprendizagem, e assim atendemos a todos as crianças e seus pais sem distingui-los.

Qual o nível de leitura dos colombianos hoje?
Subiu um pouquinho, porque o Ministério da Cultura tem vários programas que incentivam a leitura. Um deles é o Valor da palavra. Em nível de banco (Banco da República) há várias atividades culturais, como as que ocorrem nos 32 museus que ele mantém. Cada vez há mais bibliotecas e mais programas de incentivo à leitura. Eu diria que estamos entre trinta por cento e quarenta por cento em nível de leitura, no conjunto da população, em relação há dez anos.

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