O risco de bonificar a incompetência

Publicado em: 27/03/2009 às 00:00 | Atualizado em: 27/03/2009 às 00:00

Massilon de Medeiros Cursino*

Recebi um email que traçava um comparativo da situação entre pessoas que estavam em face de adquirir um emprego público.

A circunstância fática consistia em apresentar um candidato que, apesar de possuir uma pífia qualificação, era farto de amigos e padrinhos políticos influentes, por conta disso tinha a oportunidade de ganhar alto salário na sinecura, sem sequer ter a obrigação de cumprir expediente, com direito a recesso e, por cima, com a possibilidade de receber horas extras no período de folga.

Por outro lado, para ganhar um salário bem mais módico, havia outro candidato, querendo seguir os caminhos legais, buscando a aprovação em concurso público de provas e títulos. Além do extenso conteúdo do edital, para tal se exigia também conhecimento em mais de um idioma, titulações, teste de aptidão, oito horas diárias e etc.

Diante de situações como essa, é frustrante, após uma vida ouvindo que a fórmula para o sucesso é estudar e trabalhar com afinco, saber que a realidade infelizmente não é bem assim. Os atalhos, as promoções e as bonificações aos incompetentes são cânceres que ainda não conseguiram ser extirpados.

Isso não é exclusividade de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. Não é coisa que acontece unicamente abaixo da linha do Equador, bastando analisar as causas da famigerada crise mundial que hoje assusta o mundo.

A princípio elegeu-se a clientela subprime como bode expiatório e hoje já se reviu os culpados, descobrindo que os bônus pagos pela seguradora americana AIG a seus executivos extrapolou os 218 milhões de dólares e foi o nascedouro do colapso econômico. Ao invés de punir os irresponsáveis e incompetentes, o governo americano repassou à empresa cerca de 170 bilhões de dólares, a fim de evitar que a gigante do ramo de seguros entrasse em concordata.

Já vimos história parecida no Brasil, quando o governo federal auxiliou os bancos e os banqueiros na iminência de uma quebradeira. A justificativa foi e é sempre a mesma, para evitar o desemprego dos cidadãos.

Até quando o bolso do contribuinte terá que ser sacrificado para acudir e premiar os incompetentes? Até quando vamos ter que pagar a benesse de quem não quer trabalhar?

A seguradora AIG bonificou os seus executivos que quase a levaram a bancarrota, por sua vez o governo americano socorreu o caixa da AIG, e o mundo está aturdido com a crise que vem em cascata.

Pelo visto não é somente a crise que é mundial, o vício de contemplar os incompetentes também é!

* Economista, bacharel em Direito e membro da Academia Parintinense de Letras (APL).

Tags