Mãe rica em busão

Publicado em: 22/05/2011 às 00:00 | Atualizado em: 22/05/2011 às 00:00

Neuton Corrêa*

Lembram a crônica da semana passada “Filha de rico em busão”? Pois é. Adivinhem? A mãe da moça leu a história e respondeu.

Para os que não leram o episódio, contei a história do Claudomiro, forte empresário do Estado do Amazonas. Ele queria saber de mim se, realmente, ando de ônibus e perguntou-me se é possível andar para qualquer lugar de Manaus de busão. Com ele, discuti algumas de minhas ideias sobre transporte público.

Disse-lhe, na ocasião, que não sei quando o uso de carros será considerado algo abominável. E aproveito agora para lhes dizer de onde tirei essa coisa: do cinema. Lembro-me que, na década de 1980, os artistas sempre apareciam no cinema apreciando cigarros. Parecia regra. Hoje, é fato raro. Fumar não combina com nada e de charmoso passou a cafona.

O Claudomiro anda inquieto com trânsito. Queixa-se que tem quatro carros em casa, mas que pensa em pegar ônibus porque a quantidade de carros na cidade já não lhe permite mais acelerar em alguns pontos. Então, pedi-lhe que imaginasse um trânsito com mais 800 mil carros. Falava, é claro, dos 800 mil passageiros que usam o transporte público todos os dias.

No contexto atual, isso pode ocorrer porque o poder de compra do brasileiro aumentou bastante e oferta de carro vê-se nas ruas como oferta de banana em feira. No fim da conversa, ele me explicou porque estava me interrogando sobre o busão: a filha dele, agora, quer andar de ônibus e convidou-o para acompanhá-la.

Pois bem, feita essa digressão para nivelar nossas informações, vamos à mãe da garota:

Não citei o nome completo do Claudomiro nem o nome pelo qual é conhecido demais no Estado para não expô-lo, mas acabei surpreendido pela esposa dele no domingo passado. Também não citarei seu nome, mas porque não lhe pedi autorização. Porém, só para aliviar a curiosidade das senhoras e senhores, darei apenas uma informação sobre essa personagem: é sócia da Coca-Cola.

Então. Tenho o costume de publicar nossas crônicas de todos os sábados no meu blog www.textobr.com, anunciando-as pelo meu Twitter: @NeutonCorrea e pelo meu Facebook: Neuton Corrêa. E para minha surpresa vejam quem comentou a história. Justamente ela.

Assim provoquei os internautas:

“Na crônica do busão desta semana, conto o drama de um empresário poderoso do Estado. A filha dele quer andar de ônibus: “Filha de rico em busão” – www.textobr.com.E assim ela respondeu em quatro posts:

Post 1: Cursei faculdade no Rio de Janeiro, no final dos anos 80 início dos 90. Quando cheguei, morava na Barra e pegava o 179, às 06h30 da matina para ir pro Centro do Rio, onde fazia cursos de línguas. Meio-dia, pegava o 175 até o Flamengo para a faculdade – FA…

Post 2: Até hoje, quando vou ao Rio, me desloco pela Zona Sul de ônibus…

Post 3: Quando era estudante, aqui em Manaus, usava muito ônibus para voltar para casa do Centro… Mas, hoje…. não sei se tenho essa coragem. Vejo os ônibus velhos, sujos…

Post 4: Escuto as pessoas que trabalham comigo e é reclamação… Acredito que é a melhor opção para nossa cidade mas, desde que o cidadão seja tratado dignamente e não como sardinha de segunda, enlatada.

Meu Post-resposta: Que experiência! Concordo com você: não é esse modelo de sistema de transporte público que resolverá o problema. Você tem razão. A discussão é boa. Grande abraço!

*Filósofo e escritor.

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