Os pesos e a balança

Publicado em: 23/05/2012 às 00:00 | Atualizado em: 23/05/2012 às 00:00

Ivânia Vieira*

O debate apenas começou. Judiciário e imprensa têm uma estrada comprida, desconhecida e carregada de grandes conflitos para percorrer.

Como será essa caminhada? Vai depender da qualidade da interlocução feita e das condições reais dos momentos vividos. Até hoje prevaleceram os passos de confronto entre dois desconhecidos, detentores de poder cuja função só se completa se colocada a serviço da sociedade e não de determinadas castas.

De um lado, o Poder Judiciário, cuja abertura é uma experiência recente e em construção no Brasil. E, de outro, a imprensa, em crise promissora, porque, acuada com o impacto avassalador da Internet, refaz caminhos e reinventa-se. Daí a importância do ‘namoro’ que o Judiciário amazonense e a mídia estão vivendo.

O cupido é uma turma da Escola Superior de Magistratura do Amazonas (Esmam) com percepção sobre as possibilidades em terreno árido e disposta a abrir trilhas. Nessa namoração não vale submissão de um a outro e nem se propõe o fim das tensões. Ao contrário, caminhar nessa estrada com maior segurança significa compreender as diferenças e as convergências entre o Judiciário e a imprensa.

Não se trata de uma relação de subordinação ou a busca do silenciamento. Tais tentativas, quando ocorrem, demonstram a linha tênue que separa autoritarismo e democracia. O exercício de agora é pelo avanço democrático das instituições. Por aqui, estamos aprendendo a sentar à mesa, juntos, para promover diálogos e estudar os posicionamentos.

A série de exercícios proposta é longa, deixa corpos e mentes doloridos. Afinal, a falta da cultura da conversa e do debate, para ambos, produz doenças perigosas, mantém abismos e cultua a linguagem fechada como espécie de muro para assegurar a intocabilidade de uns poucos.

Enquanto isso, no Planeta Terra, imprensa e Judiciário são cada vez mais pressionados por mulheres e homens cujos direitos estão ameaçados, foram e são negados e suas histórias não
entram em pauta.

*Jornalista de A CRÍTICA, professora do Curso de Comunicação Social da Ufam.

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