por Neuton Corrêa, da redação

 

O governador Amazonino Mendes (PDT) nasceu no núcleo do poder que comandou o estado por cerca de 40 anos trazido pelos ares de mudanças de 1982.

Naquele ano, o Brasil mostrava saturação com o regime militar e na primeira oportunidade de voltar às urnas, desde o golpe, em 1964, impôs importantes derrotas ao então partido dominante, PDS, antiga Arena.

Naquele contexto, o povo ia às ruas por mudanças em movimentos semelhantes aos que se viu no Brasil de 2013 para cá.

A primeira eleição direta para governador, na abertura para a redemocratização do Brasil, trouxe de volta ao comando do Estado o professor Gilberto Mestrinho (MDB).

Com a eleição do velho cacique, um dos nove governadores eleitos pelo MDB, quando o País possuía ainda vinte e dois estados, abria-se então a janela para a entrada do ar que traria Amazonino Mendes.

Isso porque foi Gilberto Mestrinho que o colocou na elite política do estado, quando, em 1983, nomeou-o prefeito da capital amazonense.

A partir daí, os dois, Gilberto e Amazonino, revezaram-se no poder por vinte anos consecutivos, até passarem o bastão para seus sucessores, Eduardo Braga (MDB), Omar Aziz (PSD) e José Melo (Pros), egressos da escola do Boto Navegador.

Amazonino já estava aposentado, mas uma refrega atípica de brisa fina o colocou de volta no poder em 2017, mas um temporal puxado pelo estreante Wilson Lima (PSC), sem padrinho, tira-o do cargo e o devolve à aposentadoria, gozando a gloriosa trajetória que o fez prefeito de Manaus três vezes, senador da República uma vez e governador do Estado por quatro mandatos, fatos que lhe garantem uma importante posição na galeria dos grandes políticos do Amazonas.

 

Foto: Israel Conte/ BNC