Amazonas é o estado que menos perdeu floresta em 40 anos

Apesar da preservação relativa, desmatamento cresce no sul do estado e no entorno da BR-319

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 05/09/2025 às 08:37 | Atualizado em: 05/09/2025 às 08:37

O Brasil passou por transformações profundas nos últimos 40 anos. Entre 1985 e 2024, o país saiu da ditadura militar, retomou a democracia, viu sua população saltar de 135 milhões para 212 milhões de habitantes — e perdeu mais de 1,17 milhão de km² de vegetação nativa, segundo dados do Mapbiomas, analisados pela Folha de S.Paulo.

Esse número equivale ao território combinado de França e Espanha, ou dos estados de Goiás, Maranhão e Mato Grosso do Sul. Apenas o Rio de Janeiro registrou ganho líquido de áreas naturais. Em todos os outros estados e no Distrito Federal, a vegetação recuou.

Amazonas, maior floresta, menor perda

O mapa comparativo revela que o Amazonas foi o estado que menos sofreu com o desmatamento, mantendo a maior parte de sua cobertura florestal. 

Ainda assim, as pressões vêm aumentando, sobretudo no sul do estado, onde a expansão agropecuária tem avançado.

Outro ponto de atenção é o entorno da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho (RO). A possível pavimentação da rodovia tem estimulado ocupação irregular, ampliando o risco de avanço do desmatamento em áreas antes pouco acessíveis.

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Amazônia: metade da perda nacional

Em termos absolutos, a maior vítima foi a própria floresta amazônica, que respondeu por quase metade do total da vegetação nativa perdida no Brasil. 

A cobertura da floresta da Amazônia caiu de 90% para 78% da área do bioma no período.

Nesse mesmo intervalo, a agropecuária saltou de 3% para 15% da ocupação do território. Grandes lavouras e pastagens substituíram a biodiversidade que dominava o bioma.

Impactos climáticos

O avanço da fronteira agrícola também reduziu os recursos hídricos. Nas últimas quatro décadas, o Brasil perdeu 12% das áreas de florestas úmidas, rios, campos alagados e mangues. No Pantanal, os ciclos de inundação se tornaram mais raros, culminando na seca extrema de 2024.

Especialistas lembram que o desmatamento segue como a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa do país, ampliando os desafios do Brasil no combate às mudanças climáticas.

Foto: reprodução/Folha