Amazônia: desmatamento em áreas protegidas é o menor em 11 anos

A Amazônia registrou em 2025 o menor desmatamento em unidades de conservação desde 2014, reforçando as metas ambientais para 2030.

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Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 27/01/2026 às 18:56 | Atualizado em: 27/01/2026 às 18:56

Dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon, revelam que o desmatamento em unidades de conservação na Amazônia foi o menor dos últimos 11 anos, desde 2014.

No ano passado, essas áreas protegidas constitucionalmente tiveram 166 km² de florestas derrubadas, 38% a menos do que em 2024.

Segundo o instituto de pesquisa, em relação ao total desmatado de janeiro a dezembro de 2025, que somou 2.741 km², as unidades de conservação foram responsáveis por apenas 6%, sendo 4% nos territórios estaduais (109 km²) e 2% nos federais (57 km²).

As terras indígenas, também protegidas, registram outro dado positivo: o menor desmatamento dos últimos oito anos, desde 2017.

De janeiro a dezembro de 2025, foram derrubados 44 km² de floresta dentro dos territórios dos povos originários, 20% a menos do que em 2024.

“Comparado com 2019, quando foram desmatados 369 km² em terras indígenas de janeiro a dezembro,  a maior área derrubada desde 2012, o acumulado de 2025 foi 88% menor. Isso fez com que apenas 2% de todo o desmatamento na Amazônia ocorresse dentro desses territórios”, diz nota do Imazon.

Novas unidades

O pesquisador do Instituto Carlos Souza Jr. diz que os dados reforçam a importância de destinar áreas ainda sem uso definido na Amazônia para a criação de novas unidades de conservação e terras indígenas.

“Historicamente, esses territórios têm funcionado como barreiras efetivas para o avanço da destruição da floresta”, explica.

Desmatamento zero

O Imazon destaca ainda que a região tem terceiro ano consecutivo de queda nos alertas de desmatamento.

 “Apesar do mês de dezembro ter registrado alta de 7% na derrubada em toda a Amazônia, pois passou de 85 km² em 2024 para 91 km² em 2025, o acumulado desde janeiro fechou com redução de 27%”, diz a instituição.

Para a pesquisadora do Imazon Larissa Amorim, o Brasil mostra que está no caminho certo para o cumprimento da meta de desmatamento zero em 2030, que é essencial para a redução das emissões de gases de efeito estufa no país.

“Isso garantirá maior equilíbrio climático, a manutenção das chuvas, que também é benéfica para o agronegócio brasileiro, a conservação da biodiversidade e proteção dos povos e comunidades tradicionais”, afirma a cientista.

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil