Os efeitos das tragédias nas barragens de rejeitos da exploração mineral de Mariana e Brumadinho, localidades de Minas Gerais, acenderam o sinal de alerta no Amazonas. A empresa Mineração Taboca vai ser fiscalizada por órgãos do Governo do Estado nos próximos dias 8 e 9 de fevereiro.

Em pedido de fiscalização feito pela seccional Amazonas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AM), por sua Comissão de Meio Ambiente, as barragens da mineradora no município de Presidente Figueiredo têm nível “alto” de risco de rompimento.

A inspeção foi anunciada nesta terça, dia 29, e vai ser realizadas por técnicos da Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Segundo disseram técnicos dos órgãos ambientais, as barragens da Taboca não oferecem risco de desastre nas dimensões do ocorrido em Brumadinho. Isso porque as construções dos reservatórios são diferentes.

A inspeção vai ser uma boa oportunidade para que o Amazonas conheça o estado das barragens construídas na região de exploração da Taboca, que há décadas extrai minérios do solo amazonense. O local é cercado por duas comunidades indígenas e uma reserva biológica.

 

Concessão é de empresa peruana

Quem administra a mineradora nos últimos dez anos é a empresa peruana Minsur. Os principais minérios explorados são nióbio, tântalo e cassiterita.

O Amazonas possui 38 barragens enquadradas na Lei de Segurança de Barragens, sendo 29 destinadas à atividade de aquicultura, oito de mineração e o lago da hidrelétrica de Balbina, também em Presidente Figueiredo.

As demais barragens estão nos municípios de Manacapuru, Rio Preto da Eva, Itacoatiara, Careiro, Iranduba, Autazes, Canutama e Manaus.

 

Agenda da inspeção é de antes da tragédia

O diretor-presidente do Ipaam, Juliano Valente, disse que a fiscalização foi combinada com a Taboca no dia 14 de janeiro. Estão convidados a participar da inspeção a Assembleia Legislativa (ALE-AM) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), disse ele.

Secretário de Meio Ambiente do governo, Eduardo Taveira disse que das oito barragens de rejeitos, uma apresenta dano potencial alto, mas que laudo técnico atesta a estabilidade da contenção.

Drones são usados por Sema e Ipaam para monitorar 29 barragens de piscicultura, mas não as da Taboca, que apresentam o maior risco de vazamento, segundo informou a OAB no pedido de fiscalização.

Os órgãos levantam informações desses reservatórios a partir de imagens de satélite também.

 

Foto: Divulgação/Secom