BR-319: Ibama não tem pedido de licença para pavimentação

Não há nenhum pedido de licença de instalação para realizar as obras de pavimentação do trecho do meio

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 07/10/2025 às 20:41 | Atualizado em: 07/10/2025 às 20:41

Uma afirmação da diretora de licenciamento ambiental do Ibama, Cláudia Barros, causou perplexidade e estranheza nesta terça-feira (7/10): não há nenhum pedido de licença de instalação, no instituto, para realizar as obras de pavimentação do trecho do meio da BR-319. Isso ocorreu na audiência pública, na Comissão de Fiscalização e Controle (CFT), da Câmara dos Deputados, que discutiu os impactos orçamentários e financeiros com a demora das obras na BR-319.

O que há, segundo a diretora do Ibama, é um pedido de Licença Prévia (LP) de 2022, com declaração de viabilidade ambiental para o trecho que vai do km 250 ao km 655 da Manaus-Porto Velho.

Claudia Barros, diretora de licenciamento do Ibama, afirmou que não existe pedido de licenciamento para obras no trecho do meio da BR-319

Além disso, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) protocolou no Ibama um requerimento de Licença de Instalação (LI) e autorizações para a construção de 53 pontes de concreto.

“O Ibama tem a perspectiva de realizar a análise do pedido das pontes até dezembro de 2025. Mas, é bom esclarecer que realizar análise não significa exatamente emitir a licença”, disse Cláudia Barros.

E reiterou que o pedido para a pavimentação total da rodovia não está, no momento, com o Ibama, apenas o pedido referente às pontes está em análise.

A representante do Ibama reiterou que a pavimentação da rodovia é um indutor de desmatamento e de ilícitos ambientais. Isso porque a região é de extrema complexidade, englobando 21% de unidades de conservação federal e 19% de terras indígenas.

Espanto

O deputado federal Pauderney Avelino (União-AM) estranhou afirmação do Ibama de que não existe processo de licença ambiental para asfaltamento do chamado trecho do meio da BR-319, o mais crítico da rodovia.

“Existem apenas dois processos ativos e em tramitação no Ibama para pedido de licenciamento de instalação de 53 pontes de concreto e o de manutenção da estrada, o que nos causa espanto, após tantas reuniões e apelos da nossa bancada pelo reasfaltamento da rodovia e com a afirmação do presidente Lula de que a obra é prioritária”, disse Avelino.

Viabilidade do trânsito

Já a representante do Ministério dos Transportes, Camila Silva, disse que as atuais pontes de madeira (pinguelas) não garantem a viabilidade do trânsito, pois sua vida útil é muito curta e o licenciamento exigiria o uso de madeira licenciada, o que representa uma dificuldade adicional.

Dessa forma, o Ministério do Transporte está buscando a substituição destas estruturas, entendendo que, sob o ponto de vista do impacto ambiental, é muito melhor fazer essas pontes de concreto e aço.

“As novas estruturas não só garantirão a passagem da água, mas também incluirão dispositivos para o trânsito de animais, evitando que estes trafeguem pelo leito da estrada”, declarou a representante do governo federal.

Má condição da BR-319

O secretário de Meio Ambiente do Amazonas, Eduardo Taveira, disse que a má condição da BR-319, paradoxalmente, também prejudica a fiscalização ambiental e incentiva ilícitos.

Segundo ele, sem a presença da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ou outros controles, o desmatamento se torna mais fácil e descontrolado, permitindo a entrada e retirada de madeira sem fiscalização.

“A condição precária da estrada não favorece a fiscalização ambiental. O combate a incêndios e o deslocamento de viaturas são severamente dificultados, já que empresas de locação se recusam a alugar veículos para atuar na BR-319. O estado do Amazonas já perdeu mais de 20 veículos em operações de fiscalização na área”, contou Taveira.

Insegurança Logística

O setor produtivo e o comércio destacaram que a ausência de pavimentação adequada, especialmente no trecho do meio – cerca de 400 quilômetros – impõe custos adicionais estratosféricos e riscos de perda de cargas perecíveis.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus, Ralph Assayag, e o representante do Centro das Indústrias do Amazonas (Cieam), Luís Augusto Rocha, informaram que em 2024, castigado pela seca extrema, as indústrias da Zona Franca de Manaus (ZFM) absorveram R$ 1,5 bilhão em custos adicionais ou sobrecustos devido à falta de alternativas logísticas. E lembraram que a produção estimada da ZFM para 2025 é de R$ 147 bilhões.

Luís Augusto Rocha criticou o orçamento público, que tem zero reais para obras de infraestruturas na região e apenas R$ 80 milhões para dragagem em 2025.

Otimismo

Após a audiência pública, o deputado Sidney Leite (PSD-AM) disse estar otimista sobre o avanço da pavimentação e recuperação da BR-319. O parlamentar destacou a presença de atores chaves e decisão política de concretizar a obra.

“A articulação entre o parlamento brasileiro, a Casa Civil e todas as instituições regulamentadoras é fundamental resolver essa questão, a repavimentação da BR-319”, declarou Sidney Leite.

O deputado confirmou que o pedido de Licença de Instalação (LI) para essas 53 pontes está em análise. Foi informado durante a reunião que provavelmente até dezembro essa licença sairá, permitindo que o Ministério do Transporte, via Dnit, possa executar as obras necessárias nessas pequenas pontes que estão comprometidas e não suportam carretas de peso maior.

Fotos: divulgação