Ex-chefe do Incra critica nota genérica e imprecisa sobre desmatamento

João Pedro, ex-senador da República

Publicado em: 19/11/2019 às 19:32 | Atualizado em: 19/11/2019 às 19:32

O ex-senador e ex-superintendente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), João Pedro (PT), chamou de genérica e imprecisa a nota emitida pelo Governo do Estado sobre o desmatamento na Amazônia.

“A nota é genérica. Não é precisa e acaba escondendo um debate que precisamos fazer às claras. Quem provoca a queimada não é a agricultura familiar. É a [atividade] pecuária e o roubo da madeira. Não se pode fazer uma nota genérica dizendo que [a responsabilidade] é dos assentamentos”, criticou.

João Pedro comentava a reação do Governo do Estado à divulgação de notícias sobre a participação do Amazonas no aumento anual de 29,5% do desmatamento na Amazônia.

Em nota de esclarecimento, o governo diz que a maior incidência da destruição florestal no Amazonas ocorre em terras da União e, com maior incidência nos assentamentos do Incra. E que 91% do desmatamento do estado está concentrado em municípios do sul.

O dado é contestado pelo ex-chefe do Incra. “As terras públicas de Apuí [sul do Amazonas], na sua grande maioria , foram distorcidas e não são mais ocupadas por agricultura familiar, e sim por grandes e médios fazendeiros”.

 

Leia mais 

Governo diz que desmatamento maior no AM há em áreas da União

 

João Pedro também lembrou do clima tenso mantido na região, inclusive com assassinatos nos últimos anos.

“Estou responsabilizando dois setores pela agressão, pelas queimadas e pelos assassinatos. Nos  últimos anos, mais de dez lideranças populares foram assassinados no sul do Amazonas. Essa área é tensa, é conflagrada”, alertou.

O ex-senador também cobrou do governo políticas públicas de combate ao desmatamento, replantio do que a queimada destruiu e ações que garantam a floresta em pé.

“Temos que fazer um enfrentamento. Há uma ausência do estado que tem fazer parceria com o governo federal pra fazer um enfrentamento”.

 

Dados federais

Provocada pelo BNC a respeito das declarações de João Pedro, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) reiterou as informações já publicadas anteriormente, afirmou que são dados oficiais do Governo Federal e de consulta pública.

Leia a nota na íntegra abaixo.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) reitera as informações divulgadas em nota nesta segunda-feira (18/01) e destaca que os dados são oficiais, divulgados pelo Governo Federal, por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e que estão públicos, disponíveis para consulta no site do instituto.

 

Abaixo, a nota de esclarecimento divulgada nesta segunda-feira, dia 18.

Nota de esclarecimento sobre os índices de desmatamento

O Governo do Estado reconhece o aumento no desmatamento no Amazonas indicado pelos dados do Prodes/Inpe, mas reforça que o total de área desmatada equivale a 0,09% da área total do Estado.

Os dados divulgados pelo Prodes ainda são estimativas, que serão consolidadas em 2020, e correspondem ao período de agosto de 2018 a julho de 2019. Considerando o aumento de 36% no desmatamento do estado em relação aos dados de 2018, o Amazonas ocupa o 4º lugar no ranking da Amazônia Legal.

É importante ainda destacar que 91% do desmatamento no Amazonas está concentrado em municípios do sul do estado, que vem sofrendo grande pressão da expansão da fronteira agrícola de outros estados da região.

Este já é um padrão identificado pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente e a região tem sido foco das ações de combate ao desmatamento ilegal desde o início de 2019.

Entre as ações, o Governo do Estado decretou situação de emergência no sul do Amazonas para combater as queimadas e o desmatamento ilegal, o que culminou na redução dos focos de calor em quase 70% no mês de outubro.

A análise dos dados feita pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) demonstra ainda que 40% do desmatamento total do estado está concentrado em áreas de domínio federal, com maior incidência em áreas de projetos de assentamento do Incra (34%).

As unidades de conservação de gestão exclusiva do Governo do Estado representam 0,32% do desmatamento total. Considerando ainda que estas áreas protegidas estaduais representam 12% de todo o território do Amazonas, fica evidenciado que a estratégia tem sido exitosa no combate ao desmatamento.

Desde o início da gestão, o Governo tem se comprometido com o combate ao desmatamento ilegal no Estado. O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), responsável pelo licenciamento e fiscalização, está sendo modernizado com o objetivo de aumentar a transparência, rapidez dos processos e com isso combater a corrupção, que facilita o desmatamento ilegal. Além disso, o Governo, por meio da Sema, está construindo a 3ª fase do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas do Estado do Amazonas (PPCDQ-AM), com ações para redução do desmatamento ilegal.

O Amazonas captou também, junto ao Fundo Amazônia, recursos para apoiar a inscrição e análise de empreendimentos no Cadastro Ambiental Rural (CAR) em 36 municípios do estado, registro público obrigatório para propriedades rurais com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais referentes a situação de Áreas de Preservação Permanente (APP), de reserva legal, das florestas e remanescentes de vegetação nativa, das áreas de uso registro e das áreas consolidadas, compondo uma base de dados para o combate ao desmatamento.

 

Foto: Divulgação