Igreja católica repudia violência contra garimpeiros em Manicoré
Igreja católica condena violência em operação da PF que destruiu balsas de garimpeiros no Amazonas.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 16/09/2025 às 21:05 | Atualizado em: 16/09/2025 às 21:05
A Diocese de Humaitá e as paróquias Nossa Senhora das Dores e Maria Auxiliadora dos Cristãos de Manicoré, no Amazonas, divulgaram nesta terça-feira (16/9) nota de repúdio e solidariedade para manifestar profunda indignação contra os atos de violência ocorridos na região, na manhã de 15 de setembro de 2025 (segunda-feira).
O documento, assinado pelo bispo diocesano, Dom Antônio Fontinele de Melo, condena a queima imprudente das balsas de extrativismo mineral familiar no rio Madeira, às margens das cidades de Humaitá e Manicoré.
Segundo a nota, a operação policial atinge diretamente os garimpeiros artesanais e suas famílias, que vivem do trabalho simples e digno de suas mãos. A Diocese critica duramente a abordagem adotada pelas autoridades, afirmando que a ação recorreu à violência em vez de buscar soluções pacíficas e justas.
“Erguemos nossa voz para denunciar qualquer prática que, ao invés de buscar caminhos justos e pacíficos de resolução, recorre à violência, destruindo vidas, sonhos e a subsistência de inúmeras famílias”, diz o documento.
Dom Antônio Fontinele de Melo enquadra a operação como uma grave violação dos princípios cristãos e dos direitos humanos.
“Toda forma de injustiça social é contrária ao Evangelho, ferindo a dignidade dada por Deus a cada pessoa e o cuidado da Igreja para com a Ecologia Integral”, afirma a nota.
Solidariedade às famílias
Ao mesmo tempo em que repudia a violência, a Diocese expressa sua solidariedade às famílias atingidas.
A nota se encerra com um apelo à fé, pedindo que as famílias encontrem força na fé e esperança na construção de um futuro de reconciliação e justiça.
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Além de Dom Antônio Fontinele de Melo, assinam o documento os padres Slawomir Drapiewski e João Silva do Nascimento, párocos das igrejas de Manicoré.
Nota de repúdio
Foto: divulgação PF
