Indígenas e ribeirinhos do Amazonas são treinados para urgência de saúde
Projeto ensina primeiros socorros com recursos da floresta e já capacitou cerca de 200 pessoas.
Publicado em: 04/05/2026 às 11:19 | Atualizado em: 04/05/2026 às 11:20
Em áreas onde o socorro pode levar horas ou até dias, a resposta começa dentro da própria comunidade.
Médicos que atuam na Amazônia criaram o projeto Socorristas da Floresta, voltado ao treinamento de indígenas e ribeirinhos em técnicas de primeiros socorros adaptadas à realidade local.
A iniciativa já capacitou cerca de 200 pessoas desde 2025, com apoio da Força Nacional do Sistema Único de Saúde e de organizações indígenas.
O treinamento ensina como improvisar atendimentos com recursos disponíveis na mata. Entre as práticas estão o uso de redes para transporte de pacientes, varas de madeira como suporte para soro e a montagem de macas com materiais da floresta.
Os idealizadores são os médicos Idjarrury Sompré, Guilherme Giordani e Luiz Fernando Rocha, que atuam em territórios indígenas e comunidades isoladas do Pará e do Amazonas.
“Nessas regiões, o atendimento médico de urgência costuma demorar longas horas ou até dias por causa das dificuldades de acesso”, afirma Sompré.
Ele destaca que o conhecimento básico pode ser decisivo em situações como afogamentos, acidentes de trabalho e picadas de animais peçonhentos.
Na prática, a capacitação tem feito diferença. Moradora da terra indígena Maró, no oeste do Pará, Rosete Alves relata que o curso mudou a rotina da comunidade.
“Muitas pessoas que passaram por essa capacitação têm colocado essas orientações em prática e ajudado a salvar vidas no meu território.”
Ela lembra o caso do próprio irmão, picado por uma cobra. O resgate demorou cerca de sete horas para chegar.
“Se a gente não tivesse sido orientado corretamente sobre como agir, talvez o meu irmão não tivesse sobrevivido.”
Para lideranças indígenas, o projeto não substitui o atendimento médico, mas garante uma resposta imediata enquanto a equipe de saúde não chega.
Em regiões sem unidades de saúde próximas, essa primeira ação pode ser a diferença entre a vida e a morte.
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Foto: acervo Socorristas da Floresta
