Pesquisadores defendem recriação do DER-AM para salvar as estradas do AM

Para que o estado saia do atoleiro logístico e recupere a soberania sobre suas próprias estradas.

DRE-AM - artigo aldenor

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 12/01/2026 às 06:30 | Atualizado em: 12/01/2026 às 06:33

O atual cenário de precariedade das rodovias estaduais no Amazonas não é apenas fruto do rigor climático ou da falta de verbas, mas o resultado de um “erro histórico” cometido há três décadas. Esta é a tese defendida pelos pesquisadores e especialistas Marcos Maurício Costa e Aldenor Ferreira em artigo, sábado, no site BNC Amazonas. 

Eles argumentam que a extinção do Departamento de Estradas de Rodagem do Amazonas (DER-AM), em 1995, desmantelou uma estrutura técnica vital e adaptada às particularidades da maior floresta tropical do mundo.

O legado desmantelado

Criado originalmente em 1954 e fortalecido na década de 60, o DER-AM operava como uma autarquia. Ele tinha autonomia administrativa e financeira. Segundo os autores, o órgão não era apenas um escritório de contratos. Sobretudo, existia como uma estrutura técnica robusta presente no “chão da estrada”.

Um dos exemplos que citam como prova de eficiência era a manutenção da AM-010 (Manaus-Itacoatiara). Naquela época, equipes e máquinas permaneciam ativas de forma permanente ao longo da via. Essa presença contínua permitia respostas rápidas aos desgastes naturais e às intensas chuvas amazônicas. Dessa forma, garantiam a trafegabilidade que hoje se tornou um desafio gigante para os usuários.

A perda da visão técnica

Para Costa e Ferreira, a substituição do DER-AM por modelos de gestão menos especializados resultou na perda da “visão técnica permanente”. Atualmente, a gestão das estradas muitas vezes fica refém de contratos de terceirização que nem sempre consideram a complexidade logística e a vastidão territorial do estado.

O isolamento de comunidades e a insegurança jurídica e física dos motoristas são apontados como consequências diretas da ausência de um órgão que planeje, execute e, sobretudo, fiscalize com rigor técnico as obras rodoviárias.

Caminho da recriação

A proposta defendida pelos pesquisadores não é apenas um exercício de nostalgia, mas uma estratégia de Estado. Eles propõem um roteiro claro para a recuperação da malha viária:

  1. Estudo técnico e jurídico: A formulação de um estudo detalhado que sirva de base para um Projeto de Lei de iniciativa do Poder Executivo.
  2. Autonomia de gestão: A nova autarquia deve recuperar a autonomia administrativa e financeira para que o planejamento não seja interrompido por mudanças políticas conjunturais.
  3. Responsabilidade integral: O novo DER-AM assumiria o ciclo completo — do planejamento à operação e conservação das estradas.

Erro que precisa de correção

A análise de Marcos Maurício Costa e Aldenor Ferreira expõe uma ferida aberta na logística regional. Ao classificarem a extinção do órgão em 1995 como um equívoco, os autores convocam a sociedade e a classe política a reconhecer que, sem uma estrutura técnica dedicada e perene, o Amazonas continuará lutando contra a lama e o isolamento.

A recriação do DER-AM surge, portanto, como a principal “obra” necessária para que o estado saia do atoleiro logístico e recupere a soberania sobre suas próprias estradas.

Leia o artigo, na íntegra

A extinção do DER-AM: um erro histórico

Foto: divulgação