Amazônia: Ratinho mostra ignorância e interesses em desmatar

Apresentador minimiza importância da Amazônia, nega aquecimento global e defende pensamento contra a preservação do bioma.

Publicado em: 12/11/2025 às 18:14 | Atualizado em: 12/11/2025 às 18:14

O apresentador Carlos Massa, o Ratinho, demonstrou profundo desconhecimento sobre a floresta amazônica e as mudanças climáticas ao fazer declarações distorcidas em seu programa no SBT, na noite de segunda-feira (10/11).

Ao comentar o tornado que atingiu o Paraná, Ratinho afirmou que “preservar a Amazônia não vai resolver o problema do clima”, alegando que a floresta representa apenas “1% do globo terrestre”.

O apresentador ainda confundiu a floresta com o estado do Amazonas, reforçando a falta de compreensão sobre o bioma que se estende por nove estados brasileiros e oito países sul-americanos.

“O Amazonas tem só 1% de todo o globo terrestre. Então, não vai resolver nada preservar 1%”, disse, em tom desdenhoso, ignorando o papel da floresta na regulação climática global e na absorção de carbono.

Além de propagar falácias sobre a Amazônia, Ratinho expressou negacionismo climático ao afirmar que eventos extremos, como tornados e enchentes, “sempre existiram” e não têm relação com a ação humana. “Esses fenômenos da natureza sempre tiveram, é que agora todo mundo divulga”, afirmou, minimizando o consenso científico que associa o aquecimento global à intensificação desses desastres.

Interesses econômicos e exploração da floresta

As declarações do apresentador também levantam suspeitas sobre conflito de interesse. Ratinho é proprietário de cerca de 200 mil hectares de terras em Tarauacá, no estado do Acre (AC), adquiridas em 2002, parte delas sob suspeita de grilagem e destinadas à exploração madeireira, segundo revelou o portal De Olho nos Ruralistas.

O envolvimento direto com o setor madeireiro pode explicar o discurso contrário à preservação ambiental e à fiscalização sobre atividades extrativistas na Amazônia.

Em 2020, Ratinho também demonstrou desprezo pela fauna brasileira, ao questionar a importância de espécies ameaçadas, como o mico-leão-dourado e o hipopótamo, afirmando que a extinção desses animais “não mudaria nada”.

Desinformação e negacionismo em rede nacional

Ao usar seu programa para espalhar desinformação ambiental, Ratinho contribui para reforçar narrativas negacionistas sobre o clima e interesses econômicos que incentivam o desmatamento.

Suas falas contrastam com o consenso científico e com o esforço de organizações nacionais e internacionais para proteger a Amazônia — um bioma essencial para o equilíbrio climático global.

Diferente do que afirmou o apresentador, a floresta amazônica cobre mais de 6 milhões de km² e desempenha papel vital na produção de chuvas, na regulação do carbono e na manutenção da biodiversidade planetária.

As declarações de Ratinho, portanto, revelam ignorância geográfica, desprezo científico e interesses econômicos diretos na exploração da floresta — um discurso que ecoa o negacionismo climático e ameaça o debate público sobre o futuro da Amazônia.

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Foto: Isac Nóbrega/PR