Rios do Amazonas abrem ano com vazante persistente após enchente tímida

Principais rios do estado exibem comportamentos distintos no início do novo ciclo hidrológico.

O diário de uma expedição de barco pelo rio Negro, no Amazonas

Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 05/01/2026 às 09:47 | Atualizado em: 05/01/2026 às 10:06

Depois de um 2025 marcado por comportamentos hidrológicos amenos, os rios do Amazonas iniciam 2026 sob um cenário instável, que combina reação lenta à cheia e manutenção da vazante.

Enquanto alguns trechos mostram elevações pontuais, outros seguem em queda contínua, indicando que o sistema fluvial ainda absorve os efeitos do último ciclo climático.

• Rio Negro

Em Manaus, o Negro iniciou janeiro de 2026 com elevação discreta, atingindo a cota de 22,04 metros neste 5 de janeiro.

Nos primeiros dias do ano, o rio acumulou 3 centímetros de enchente e permaneceu assim, um comportamento semelhante ao observado em anos de transição após secas severas.

Em 2025, no mesmo período, a elevação foi de apenas 1 centímetro, indicando uma reação ainda mais lenta após a estiagem histórica de 2024.

• Solimões

Em Tabatinga, o rio Solimões mantém trajetória de vazante, contrariando o início do período tradicional de recuperação.

Entre 1º e 5 de janeiro de 2026, o nível caiu de 7,12 metros para 6,70 metros, uma redução de 42 centímetros.

O comportamento prolonga a tendência registrada em dezembro de 2025, quando o rio perdeu mais de 2,2 metros ao longo do mês.

• Maraã

No município de Maraã, médio Solimões, o rio segue em queda acentuada desde o fim de dezembro.

Entre 25 de dezembro e 3 de janeiro, o nível do rio alimente do Solimões caiu de 9,88 metros para 8,76 metros, uma redução de 1,12 metro.

Somente nas últimas 24 horas do período, a vazante foi de 12 centímetros, mantendo alerta para comunidades ribeirinhas.

• Lago Tefé

O lago Tefé reforça o cenário de dificuldade de recuperação do Solimões.

Entre 20 de dezembro e 3 de janeiro, o nível caiu de 15,35 metros para 14,50 metros, acumulando 85 centímetros de redução.

Apenas entre os dias 2 e 3 de janeiro deste ano, o lago perdeu 11 centímetros, confirmando a persistência da vazante no braço do Solimões.

• Amazonas

No médio Amazonas, o rio apresentou reação distinta.

Em Itacoatiara, o rio Amazonas registrou enchente de 7 centímetros nos primeiros dias de janeiro, alcançando 8,53 metros.

O movimento indica resposta gradual às chuvas na bacia andina, embora ainda distante de uma recuperação consistente.

• Madeira

No rio Madeira, tributário do rio Amazonas que leva a Porto Velho (RO), principal alternativa logística da Zona Franca de Manaus (ZFM) à BR-319, o início de 2026 trouxe uma das reações mais expressivas da bacia.

Em Porto Velho, o nível subiu 46 cm em três dias, atingindo 12,45 metros.

A elevação reflete chuvas concentradas a montante, mas ainda não sinaliza normalização completa após a seca de 2025.

Em suma

Neste registro, o início de 2026 mostra que os rios do Amazonas ainda atravessam um período de ajuste após os índices de 2025.

Embora haja sinais pontuais de enchente, sobretudo no Madeira e no Amazonas, a vazante persistente indica um começo de ano ainda marcado pela irregularidade hidrológica.

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Foto: Ednilson Maciel/especial para o BNC Amazonas