Por Ivânia Vieira

 

O jornalismo ganha reforço. E vem de uma turma jovem, habitante do chão de crise real na virtualidade dos novos tempos.

No dia 30 de julho, alguns jornalistas foram reunidos no auditório Rio Javari, da Faculdade de Tecnologia – Universidade Federal do Amazonas, a convite do Programa LigAção – Comunicação e Meio Ambiente na Amazônia (FIC-Ufam) para conversar sobre “Comunicação em Tempos de
Eleição – entre o jogo das práticas e a emergência de novas práticas”.

No auditório, mais de 100 pessoas, a maioria estudantes, professores e jornalistas, demonstraram
interesse em ouvir e perguntar.

Mediado pela professora-doutora Edilene Mafra, o painel reuniu as jornalistas LiégeAlbuquerque,
professora na UniNorte, Rosiene Carvalho, repórter e comentarista política (BNC/Band News), e os
jornalistas DanteGraça, editor executivo do Portal A Crítica, e Thiago Herculano, professor do
Centro Universitário Nilton Lins.

Registro algumas das ideias apresentadas naquele encontro de um jeito peculiar. De Liége
Albuquerque, a noção de esperança, não a esperança aquietada e sim aquela feita de
movimento intenso que não se cala diante da violência ou das ordens expressas para silenciar.

É uma esperança no jornalismo exigente de cuidados e criterioso no ato do que irá ser publicado. “Persigo a imparcialidade” disse a jornalista ao desenhar um dos esforços no ato
cotidiano de trabalhar informações que irão ser notícias.

Ao trazer a imparcialidade para o debate, Liége propõe sair do sim e não que limita e encerra as discussões necessárias sobre essa noção e, demonstra que é no terreno do exercício da busca que estão ingredientes valiosos para a feitura da notícia.

Rosiene Carvalho chama atenção para a importância de fazer o bom registro da história que está sendo contada pelo relato jornalístico. O que exige, como a jornalista indicou, condutas cuidadosas na captação dos dados e na checagem das informações.

“O novo tempo, onde a velocidade dita outra postura profissional, exige mais atenção com aquilo que será notícia em segundos”. O bom registro jornalístico, afirma Rosiene, será útil no presente,
como elemento para ajudar a tomar decisões, e no futuro quando a história das coisas será estudada por meio das mídias.

Thiago Herculano fez uma incursão na megaestrutura que sustenta a produção das notícias
falsas e acionou o cuidado cuidadoso no trato e formação das fontes jornalísticas. Traz à cena um
dos campos que necessita ser desassossegado, retirado de um certo ostracismo nas reflexões
sobre práticas jornalísticas.

As fontes e suas conexões são território vasto de significados, percepções e interesse.

Dante Graça retoma uma noção preciosa: o jornalismo não precisa ser reinventado, exige ser praticado, reivindica ser jornalismo, afinal, nele, “a gente é dono de uma parte do processo, a
da produção da notícia e é nela que residem alguns desafios para quem faz jornalismo” em qualquer plataforma.

“Nossa emergência está na necessidade de ressignificar o jornalismo como jornalismo”.

Das contribuições, aqui relatadas em versão muito resumida, a promoção do painel apresenta
outras possibilidades: reafirma a importância dos espaços de debate na formação das percepções e no aprimoramento da democracia; expõe ângulos preciosos de uma parcela de jornalistas e professores da área que “se agarram na esperança” do fazer e insistir nesse fazer ativo, crítico; e sintetiza pensamentos andantes sobre a prática jornalística na cidade de Manaus, no Estado do Amazonas.

Uma atitude saudável em tempos de adoecimentos de várias ordens

 

* A autora do artigo é jornalista, professora do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), tem mestrado e doutorado em Comunicação Social.

 

Foto: Divulgação/Maloca Digital