Bancada feminina da ALE-AM pode encolher após eleições

Saída de deputadas para outras disputas ameaça recorde histórico de mulheres na assembleia

Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 04/06/2026 às 16:55 | Atualizado em: 04/06/2026 às 16:55

A Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) alcançou em 2026 a maior representação feminina de sua história, com seis deputadas estaduais. No entanto, o cenário eleitoral para 2027 pode reduzir essa presença diante da migração de parlamentares para outras disputas e da indefinição que ainda marca a corrida pelas 24 cadeiras da Casa.

A atual bancada feminina é formada por Alessandra Campelo (PSD), Joana Darc (União Brasil), Mayra Dias (PSD), Débora Menezes (PL), Mayara Pinheiro (Republicanos) e Brena Dianná (União Brasil), que assumiu o mandato nesta semana.

A chegada de Brena elevou o número de mulheres no parlamento estadual a um patamar inédito. Apesar do avanço, a manutenção desse espaço após as eleições de outubro ainda é incerta.

Entre as atuais deputadas, Alessandra Campelo aparece cotada para compor como vice na chapa do senador Omar Aziz (PSD) ao governo estadual, enquanto Joana Darc deve buscar uma vaga na Câmara dos Deputados.

Caso ambas deixem a assembleia, a bancada feminina dependerá da reeleição das outras parlamentares e do desempenho de novas candidatas para evitar uma redução da representatividade.

Disputa ainda indefinida

A pesquisa IPEN/G6 divulgada em maio mostra que a eleição para deputado estadual segue aberta. Dos 1.200 entrevistados, 962 afirmaram não saber em quem votar, enquanto 47 declararam voto branco, nulo ou em nenhum candidato.

Entre os nomes femininos lembrados espontaneamente, Mayra Dias aparece entre os destaques, com 11 citações. A primeira-dama de Iranduba, Luana Ferraz (União Brasil), surge com sete menções, à frente de diversas lideranças já consolidadas na política estadual.

O levantamento sugere que a disputa permanece pulverizada e que a definição das vagas dependerá da consolidação das candidaturas durante a campanha eleitoral.

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Reflexo também na Câmara Municipal de Manaus

O cenário da representatividade feminina também chama atenção no legislativo municipal, onde apenas três dos 41 vereadores são mulheres: Yomara Lins (Podemos), Thaysa Lippy (União Brasil) e Jacqueline Pinheiro (União Brasil).

A situação pode sofrer alterações em 2027, já que Thaysa Lippy aparece como pré-candidata à Câmara dos Deputados e, se for eleita, deixará o mandato de vereadora, o que poderá reduzir ainda mais a já pequena representação feminina na CMM, a depender de quem assumir a vaga.

O quadro evidencia que, embora a assembleia tenha ampliado a presença feminina nos últimos anos, a representação das mulheres continua reduzida nos espaços de poder, especialmente na capital.

Desafio estrutural

Para Alessandra Campelo, a ampliação da presença feminina na política ainda depende de medidas mais robustas.

“Ainda é injusto em relação às mulheres, porque nós somos mais da metade da população e a gente sabe o quanto é difícil para as mulheres ascenderem em qualquer carreira”.

A deputada observa que, embora a ALE-AM tenha alcançado 25% de representação feminina com seis parlamentares, o cenário ainda está distante do equilíbrio observado em outros níveis do legislativo, como a câmara municipal, onde as mulheres ocupam apenas 7,3% das 41 candidaturas.

“A gente precisaria garantir no mínimo 30% de cadeiras no parlamento para, a partir daí, sim, a gente ter o verdadeiro investimento dos partidos nas candidaturas femininas”.

Com duas das principais lideranças femininas da ALE-AM mirando outros cargos e uma eleição ainda marcada por elevado índice de indecisos, o pleito de 2026 será decisivo para definir se o recorde de seis deputadas representará um avanço duradouro ou apenas um momento pontual na política amazonense.

Foto: BNC Amazonas