BR-319: Dnit abre licitações de R$ 1,36 bilhão para trecho do meio
A medida marca um novo avanço em uma obra aguardada há mais de 50 anos e considerada estratégica para a integração do Amazonas ao restante do país.
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 13/04/2026 às 17:24 | Atualizado em: 13/04/2026 às 17:24
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) publicou quatro editais de licitação para obras de melhoramento e pavimentação no trecho do meio da BR-319, consolidando um investimento total superior a R$ 1,36 bilhão.
A medida marca um novo avanço em uma obra aguardada há mais de 50 anos e considerada estratégica para a integração do Amazonas ao restante do país.
Ao mesmo temo, o governo do presidente Lula da Silva cumpre a promessa feita à bancada do Amazonas e à sua população, ao anunciar essas medidas no último dia 31 de março.
Dessa forma, os quatro avisos de licitação, divulgados no Diário Oficial da União, pelo Ministério dos Transportes, permitem que empresas interessadas apresentem propostas desde esta segunda-feira (13 de abril), por meio do sistema eletrônico de compras do governo federal. A abertura dos pregões está prevista para os dias 29 e 30 de abril.
As licitações abrangem aproximadamente 339,4 quilômetros do chamado “trecho do meio” da rodovia, considerado o mais crítico para a trafegabilidade. O projeto foi dividido em quatro lotes.
O primeiro lote compreende o segmento entre os quilômetros 250,7 e 346,2, com extensão de 95,5 km e valor estimado em R$ 363,3 milhões. Já o segundo lote cobre o trecho entre os quilômetros 346,2 e 433,1, com 86,9 km de extensão e investimento de R$ 364 milhões.
O terceiro lote, menor em extensão, vai do km 433,1 ao km 469,6, totalizando 36,5 km, com valor de R$ 210,6 milhões. Por fim, o quarto lote contempla o maior segmento, entre os quilômetros 469,6 e 590,1, com 120,5 km e investimento de R$ 430,9 milhões.
Somadas, as quatro licitações alcançam o montante de R$ 1.369.160.903,26, valor que supera a estimativa inicial do projeto, que era de R$ 678 milhões.

Objetos das licitações
Os editais preveem a contratação de empresas especializadas para execução de serviços de melhoramento no pavimento da rodovia, incluindo recuperação estrutural e adequação das condições de tráfego.
Os trechos contemplam áreas entre importantes pontos geográficos da região, como os igarapés Caetano e Realidade, além de conexões com rodovias estaduais, reforçando o caráter logístico e estratégico da BR-319.
Datas dos pregões
O cronograma das licitações foi distribuído em dois dias. No dia 29 de abril de 2026, ocorrem as sessões públicas dos lotes 1, às 11h15, e 3, às 11h. Já no dia 30 de abril, serão realizados os pregões dos lotes 2, às 10h30, e 4, às 11h, horários de Brasília
As propostas devem ser enviadas exclusivamente pelo portal oficial de compras do governo federal, conforme previsto nos editais publicados.
Articulação política
A publicação dos editais ocorre em meio à forte articulação da bancada do Amazonas junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Parlamentares têm defendido a pavimentação da BR-319 como prioridade nacional, argumentando que a rodovia é essencial para reduzir o isolamento de Manaus e impulsionar a economia regional.
Inaugurada na década de 1970, a BR-319 tornou-se, ao longo do tempo, símbolo do abandono da infraestrutura na região Norte. O trecho do meio, especialmente, apresenta condições precárias há décadas, frequentemente ficando intrafegável durante o período chuvoso.
A retomada das obras é vista como uma tentativa de corrigir esse passivo histórico e garantir maior integração territorial ao Amazonas.
Entraves judiciais e ambientais
Apesar do avanço das licitações, o projeto segue cercado de controvérsias. A pavimentação da BR-319 enfrenta questionamentos de órgãos ambientais e do Ministério Público, que apontam riscos de aumento do desmatamento, ocupação irregular e impactos em áreas protegidas.
Esses fatores já resultaram, ao longo dos anos, em judicializações, suspensão de licenças e atrasos no andamento das obras.
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O desafio do governo federal será conduzir a execução respeitando as exigências ambientais, evitando novos entraves jurídicos.
Foto: Divulgação
