David dispara mísseis e Wilson responde com Domo de Ferro
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 04/04/2026 às 13:00 | Atualizado em: 04/04/2026 às 13:43
Na reta final da janela partidária, o cenário político no Amazonas ganhou contornos de campo de batalha. Nos bastidores, aliados descrevem uma verdadeira ofensiva coordenada pelo prefeito de Manaus, David Almeida, contra as chapas de deputado estadual e deputado federal do União Brasil, partido do governador Wilson Lima.
Segundo fontes da própria legenda, a estratégia de David foi ampla e agressiva. Eles consideraram uma espécie de “ataque de saturação”, com o objetivo de atingir 100% dos nomes que compõem as nominatas do União. A movimentação foi interpretada como uma tentativa de esvaziar completamente a base eleitoral do governador antes do fechamento da janela partidária.
A artilharia, no entanto, encontrou resistência.
Do lado de Wilson Lima, a reação foi imediata e organizada. Lideranças do União Brasil classificam a resposta como a ativação de um verdadeiro “Domo de Ferro” político. Eles avaliam que barraram 99% dos avanços adversários e que preservaram a estrutura partidária.
Alvo atingido
Até o momento, apenas um “alvo” foi efetivamente atingido: o Coronel Menezes. Considerado até então aliado de primeira hora de Wilson, Menezes rompeu com o grupo e migrou de posição para o Avante.
Outro nome que esteve na mira foi o de Brena Dianná, candidata do União Brasil à Prefeitura de Parintins em 2024. A investida para levá-la ao Avante foi intensa, mas, até aqui, sem sucesso. Brena permanece filiada ao União Brasil, embora interlocutores reconheçam que as negociações seguem em curso enquanto a janela partidária continua aberta.
Nos bastidores, a permanência de Brena é atribuída, em grande parte, à atuação direta do senador Omar Aziz. Personagem oculto nas estratégias de Wilson Lima, Omar entrou em campo para reforçar o sistema de defesa e impedir novas baixas. Por exemplo, sua intervenção foi decisiva para conter o avanço sobre Parintins, um dos territórios políticos mais sensíveis do estado.
A leitura dentro do União Brasil é de que, apesar da intensidade dos ataques, o núcleo principal da chapa resistiu. Já no entorno de Davi Almeida, a avaliação é de que a ofensiva ainda não terminou — e que novos movimentos podem ocorrer até o encerramento oficial da janela.
Enquanto isso, o que se vê é um ambiente de tensão crescente. Assim sendo, cada filiação, cada permanência e cada deserção passam a ser peças estratégicas em um tabuleiro que antecipa, desde já, a disputa eleitoral de 2026.
No front político amazonense, a guerra está longe de acabar.
Arte: Gilmal
