Depois de Aziz, David Almeida também aposta na ‘prosperidade’
Novo slogan do candidato do Avante reforça uma convergência inédita em campanhas ao Governo do Amazonas
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 23/07/2026 às 20:16 | Atualizado em: 23/07/2026 às 20:20
A convenção que oficializa a candidatura do ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante) ao Governo do Amazonas, nesta noite de 23 de julho, revelou mais do que a identidade visual de sua campanha.
O slogan “Energia e coragem para o Amazonas prosperar” indica que o candidato decidiu percorrer um caminho que, dias antes, já havia sido inaugurado pelo senador Omar Aziz (PSD), cujo novo lema passou a ser “Lutar pela prosperidade do Amazonas”.
A coincidência vai além da escolha de uma palavra de efeito. Ela evidencia que duas das principais candidaturas ao governo estadual identificaram o mesmo ativo político para dialogar com o eleitorado amazonense: a ideia de prosperidade.
No marketing político, slogans raramente são construídos ao acaso. Eles sintetizam a mensagem central que a campanha pretende repetir durante toda a eleição.
Ao escolher a prosperidade como eixo discursivo, David Almeida e Omar Aziz sinalizam que pretendem disputar um campo simbólico que ganhou enorme força no Brasil nos últimos anos, especialmente entre os segmentos evangélicos conservadores.
Nesse ambiente religioso, a prosperidade costuma ser apresentada como resultado da fé, do trabalho, da coragem e da superação das dificuldades da vida cotidiana.
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Significados
O conceito desloca a esperança para realizações concretas — emprego, renda, melhoria da qualidade de vida e estabilidade familiar —, em vez de enfatizar apenas recompensas espirituais.
É justamente essa aproximação que chama atenção na disputa amazonense.
Enquanto Aziz resume sua mensagem em “Lutar pela prosperidade do Amazonas”, Almeida amplia a construção ao acrescentar dois elementos: energia e coragem.
O slogan sugere que a prosperidade não surge apenas como objetivo, mas como consequência de uma liderança disposta a enfrentar desafios e promover desenvolvimento.
A escolha também dialoga com o histórico político de Almeida. Evangélico e frequentador de igrejas, o ex-prefeito sempre cultivou forte identificação com esse segmento do eleitorado. Ao incorporar a palavra prosperidade ao centro da campanha, reforça uma linguagem familiar a esse público, sem transformar o discurso em mensagem religiosa explícita.
Mais do que uma disputa administrativa ou programática, a eleição para o Governo do Amazonas começa, assim, a revelar uma disputa narrativa.
Até poucas semanas atrás, os candidatos procuravam diferenciar suas campanhas por promessas de gestão, segurança pública, saúde ou infraestrutura.
Agora, dois dos principais concorrentes convergem para um mesmo conceito capaz de sintetizar uma promessa ampla de futuro.
A estratégia também indica que as campanhas enxergam o eleitor conservador — especialmente o evangélico — como um dos segmentos mais disputados da eleição.
Não por acaso, “prosperidade” deixou de ser apenas uma palavra de dicionário para transformar-se em ativo político.
Se antes a disputa passava pelo discurso da eficiência administrativa, agora ela também passa pela capacidade de convencer o eleitor de quem será o responsável por conduzir o Amazonas a um novo ciclo de desenvolvimento, crescimento econômico e melhoria das condições de vida.
A adoção praticamente simultânea do conceito por Almeida e Aziz mostra que, nesta campanha, a prosperidade deixou de ser apenas uma promessa de governo para se tornar uma das principais bandeiras simbólicas da corrida ao Palácio Rio Negro.
Foto: BNC Amazonas
