Dino manda bloquear R$ 6 milhões de Cunha por suspeita de desvio de emendas

Decisão do ministro do STF aponta indícios de que o ex-deputado atuava na destinação irregular de recursos públicos, mesmo sem mandato parlamentar

Dino manda bloquear R$ 6 milhões de Cunha por suspeita de desvio de emendas

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 12/07/2026 às 14:07 | Atualizado em: 12/07/2026 às 14:07

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou o bloqueio de R$ 6 milhões em bens do ex-deputado federal Eduardo Cunha, investigado por suspeita de participação em um esquema de desvio de emendas parlamentares.

Dessa maneira, a decisão, assinada em 6 de julho e divulgada neste domingo (12), atende a pedido da Polícia Federal no âmbito das investigações da operação Transparência.

Segundo a decisão, Cunha é apontado como integrante de um esquema que teria influenciado a destinação de recursos públicos, apesar de não exercer mais mandato eletivo.

A investigação sustenta que o ex-parlamentar utilizava a atuação da servidora da Câmara dos Deputados, Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, para direcionar emendas conforme seus interesses, em um suposto arranjo paralelo de distribuição de verbas.

O caso é o mesmo que resultou no bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também investigado por supostas indicações irregulares de emendas parlamentares.

Na decisão, Flávio Dino afirma que a análise dos dados extraídos do celular de Mariângela Fialek revelou um sistema informal de definição e remanejamento de emendas, no qual Eduardo Cunha aparecia como figura central, mesmo sem qualquer prerrogativa legal para atuar na destinação dos recursos.

As investigações identificaram pelo menos 21 emendas parlamentares, que somam R$ 6,15 milhões, supostamente empenhadas e pagas com documentação forjada para ocultar o verdadeiro responsável pelas indicações.

Para a Polícia Federal, os elementos reunidos indicam que Cunha exercia influência política comparável — ou até superior — à de parlamentares em exercício, interferindo na distribuição de recursos federais sem autorização institucional.

Segundo os investigadores, o esquema representa um grave desvio de finalidade das emendas parlamentares, que deveriam atender demandas apresentadas por representantes eleitos e seguir critérios de transparência e controle público.

O g1 informou que procurou Eduardo Cunha para comentar a decisão, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.

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Foto: reprodução/Facebook