É hora do Amazonas comandar o MDIC

Na foto, Jorge Nascimento, Marcelo Pereira e Márcio Brito são nomes que se destacam para essa eventual missão

É hora do Amazonas comandar o MDIC

Neuton Corrêa, a Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 30/12/2025 às 08:27 | Atualizado em: 30/12/2025 às 09:11

O debate sobre o futuro comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ganhou densidade nas últimas semanas. Com ele, emerge uma reflexão legítima e estratégica: faz sentido que um estado com o peso industrial, técnico e institucional do Amazonas nunca tenha liderado a principal pasta da política industrial brasileira?

A possível saída do atual ministro, em função dos cenários eleitorais de 2026, abre naturalmente espaço para discutir continuidade, perfil e direção estratégica do MDIC. É nesse contexto que o Amazonas aparece não como pleito regional ou movimento corporativo, mas como uma alternativa madura, qualificada e alinhada ao interesse nacional.

Historicamente, o comando do MDIC esteve fortemente concentrado em poucos estados. Em 64 anos de existência da pasta, 52 anos foram ocupados por ministros oriundos de estados que, em diferentes momentos, defenderam o fim ou a redução do modelo da Zona Franca de Manaus.

Minas Gerais lidera esse histórico, com 12 ministros, seguido por São Paulo, com 11, estado de onde partiram algumas das mais duras ofensivas ao modelo industrial amazônico. O Rio de Janeiro teve seis ministros à frente da pasta. O Sudeste, portanto, foi a região que mais ocupou o comando do MDIC. A Região Norte, até hoje, jamais comandou o ministério.

Esse dado histórico ajuda a explicar por que mudanças no MDIC sempre geraram apreensão no Amazonas, mas não é o argumento central. O foco está no presente e no futuro da indústria brasileira.

A Zona Franca de Manaus, com quase 60 anos de trajetória, consolidou-se como um dos mais robustos parques industriais do país. O polo industrial de Manaus abriga mais de 600 marcas globais, gera mais de 130 mil empregos diretos, concentra cadeias produtivas de alta intensidade tecnológica e apresenta, de forma recorrente, desempenho acima da média nacional. Trata-se de indústria real, competitiva, integrada às cadeias globais e alinhada às agendas de inovação, eficiência energética e sustentabilidade.

Temos mão de obra para a missão?

A resposta é objetiva: sim. O Amazonas construiu, ao longo dos anos, um corpo de lideranças técnicas e institucionais com atuação nacional, experiência prática em política industrial e capacidade comprovada de gestão pública e setorial. O Inmetro, autarquia vinculada ao MDIC, é presidido por Márcio Brito, cuja condução técnica tem sido referência nacional em qualidade, metrologia e conformidade industrial. O estado também ocupa posições estratégicas na Confederação Nacional da Indústria, com Antônio Silva na vice-presidência, e na representação setorial da indústria eletroeletrônica, por meio da atuação de Jorge Nascimento Júnior à frente da Eletros, uma das cadeias industriais mais relevantes do país, com forte presença no polo industrial de Manaus.

Soma-se a esse conjunto Marcelo Pereira, ex-superintendente da Suframa, reconhecido nacionalmente como um dos quadros técnicos mais respeitados em política industrial, incentivos produtivos e integração da Amazônia à estratégia econômica brasileira. Todos esses nomes reúnem trajetória, conhecimento técnico e legitimidade institucional para ocupar, com plena competência, a liderança do MDIC.

Esses exemplos evidenciam que o Amazonas não apenas abriga indústria, mas produz conhecimento, liderança e visão estratégica. A participação ativa da bancada federal do estado e de seus quadros técnicos nos debates da reforma tributária confirmou a maturidade do Amazonas na agenda industrial, fiscal e regulatória brasileira.

Diante desse cenário, a pergunta correta não é se o Amazonas quer comandar o MDIC, mas se o Brasil pode continuar abrindo mão de incorporar ao centro decisório uma das regiões mais estratégicas da sua base industrial.

Um MDIC liderado por um representante do Norte não seria um ministério regionalizado. Seria, ao contrário, um ministério mais completo, conectado à realidade produtiva, equilibrado territorialmente e mais preparado para gerir a indústria brasileira em toda a sua diversidade.

A Zona Franca de Manaus não é exceção. É parte da solução brasileira. Reconhecer isso no desenho das lideranças nacionais não é concessão política. É inteligência estratégica, visão de futuro e compromisso com uma indústria verdadeiramente nacional.

Necessidade

Estar na ponta da política industrial do país será uma necessidade, não somente pela velha questão dos PPB, pautas do CAS e orçamento. A ano de 2026 será divisor de águas, pois se estrutura a nova composição do CAS com as competências que a Reforma Tributária atribuiu ao colegiado começa a vigir. Se o Amazonas não tiver pessoal técnico para construir os marcos regulatórios, isso será uma trava para o futuro do polo industrial de Manaus.

Leia mais

Para ZFM, é bom Geraldo Alckmin ficar no ministério

Foto: reprodução