“É um governo sem autoridade, sabe dançar, mas não resolve”
Evento de Omar Aziz poupa David Almeida e Maria do Carmo e indica o rumo da campanha até aqui
Ana de Oliveira e Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 06/07/2026 às 14:00 | Atualizado em: 06/07/2026 às 14:25
O lançamento do eixo 2 do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, apresentado pelo pré-candidato ao governo Omar Aziz (PSD), serviu para mais do que discutir segurança, saúde e assistência social.
O evento, realizado na manhã desta segunda-feira (6 de julho), no teatro Manauara, deixou claro o rumo político que o grupo de Aziz e Eduardo Braga (MDB), aliado ao presidente Lula da Silva (PT), pretende adotar nesta fase da pré-campanha.
Nos discursos e na entrevista de imprensa, Aziz e Braga concentraram as críticas no atual governador Roberto Cidade (União Brasil), possível candidato à reeleição, e no ex-governador Wilson Lima (União Brasil), pré-candidato ao Senado.
David Almeida (Avante) e Maria do Carmo (PL), também colocados na disputa pelo governo, foram poupados.
A escolha dos alvos não parece casual. Ao mirar Cidade e Lima, os senadores sinalizam que enxergam no grupo que hoje controla o governo estadual o principal adversário da campanha.
É o confronto entre duas máquinas políticas fortes, de campos distintos: de um lado, Aziz e Braga, com apoio de setores de centro-esquerda e progressistas; do outro, Cidade e Lima, ligados à centro-direita e ao campo conservador.
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Governo bom de “dancinha”
Aziz foi o mais duro. Ao falar sobre segurança pública, disse que o Amazonas viveu nos últimos anos “um governo sem autoridade”. Em seguida, usou ironia contra Wilson Lima, conhecido por fazer campanha dançando com eleitores.
“É um governo que sabe dançar, bater no peito, dizendo que resolve os problemas, mas não resolve absolutamente nada”, afirmou.
A crítica foi precedida por outra frase no mesmo tom: “Não dá para ser oba-oba, dançando, batendo no peito”.
Para Aziz, “firulinha nunca resolveu a vida de ninguém; o que resolve é trabalho”.
Braga também mirou a atual gestão. Disse que a saúde está deficitária, que a segurança pública virou preocupação em bairros, municípios e comunidades, e que a educação estadual foi “desconstruída” na capital e no interior. Segundo ele, quem ataca é “quem não tem o que mostrar”.
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Força em exibição
Além do discurso, o evento foi uma demonstração de força política. Aziz e Braga reuniram mais de 40 prefeitos dos 62 municípios do Amazonas, além de deputados federais, estaduais, vereadores da capital e do interior e lideranças políticas.
Na prática, o lançamento do livro funcionou como uma vitrine programática e, ao mesmo tempo, como ensaio de campanha.
O conteúdo tratava de saúde, segurança e assistência social, mas o recado político foi direto: Aziz e Braga querem transformar a eleição em um confronto com o grupo que governou o Amazonas nos últimos anos.
O eixo 2 apresentado por Aziz propõe a retomada de programas sociais, investimentos em segurança pública, construção de hospitais regionais e ações integradas para enfrentar a dependência química.
O senador também defendeu a criação de 10 mil vagas para guardas municipais em parceria com as prefeituras.
Na saúde, Aziz atacou o sistema de regulação e chamou o Sisreg de “fila da morte”. Disse ainda que recebeu relatos de profissionais sobre a situação das unidades construídas em governos anteriores.
“Você sabe que precisa ser atendido e morre, não é atendido”, afirmou.
Ao lado de Braga, Aziz tentou reforçar a ideia de experiência administrativa.
Os dois lembraram programas antigos, como Jovem Cidadão, Ronda no Bairro e ações de interiorização da saúde e educação.
O tom do evento indica que, neste momento, a pré-campanha de Omar Aziz escolheu o confronto com Roberto Cidade e Wilson Lima como eixo central. Mais do que apresentar um plano, Aziz e Braga começaram a desenhar o adversário que pretendem enfrentar.
Assista ao momento
Foto: BNC Amazonas
