Facções como terroristas não entraram na conversa de Lula e Trump

Presidentes focaram em acordos econômicos e inteligência, descartando o rótulo de terrorismo para facções criminosas brasileiras.

Publicado em: 07/05/2026 às 17:18 | Atualizado em: 07/05/2026 às 17:20

Em um movimento estratégico para preservar a soberania nacional e evitar brechas para intervenções externas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluiu seu encontro com Donald Trump, na Casa Branca, sem que a polêmica classificação de facções criminosas brasileiras como “organizações terroristas” fosse colocada à mesa.

A ausência do tema confirma a intenção do governo brasileiro, articulada nos bastidores pelo Itamaraty e pelo Ministério da Justiça, de tratar o avanço do crime organizado sob a ótica da segurança pública e do combate financeiro, afastando o rótulo de “terrorismo” que Washington costuma usar para justificar operações militares em solo estrangeiro.

Foco em cooperação, não em intervenção

Durante as quase três horas de conversa e almoço, os líderes priorizaram pautas de cooperação prática. Em vez de adotar a retórica de terrorismo, os presidentes discutiram a criação de um grupo de trabalho conjunto para combater crimes transnacionais.

“Saio satisfeito da reunião. Não tenho assunto proibido, mas a única coisa de que não abrimos mão é da nossa soberania”, afirmou Lula em coletiva após o encontro.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a pauta concentrou-se em três eixos principais:

Tarifas comerciais e investimentos: Lula pontuou que a redução de investimentos americanos abriu espaço para a influência chinesa no Brasil.

Minerais críticos e Terras Raras: Acordos para exploração sustentável e cadeia de suprimentos.

Segurança e Inteligência: Cooperação técnica entre polícias para asfixiar o braço financeiro do crime organizado.

Alinhamento diplomático

Antes da viagem, a diplomacia brasileira temia que Trump pudesse usar o exemplo da Venezuela — onde os EUA conduziram a “Operação Resolução Absoluta” meses antes — como pretexto para endurecer o tom contra o narcotráfico no Brasil. No entanto, o clima foi descrito como “muito positivo e amistoso”.

Donald Trump, em comunicado nas redes sociais, classificou Lula como “muito dinâmico” e elogiou a produtividade do encontro.

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Ao focar em “crimes transnacionais” em vez de “terrorismo”, ambos os países estabeleceram missões para seus representantes técnicos, garantindo que o combate às facções continue sendo uma questão de inteligência policial e não de confronto militar internacional.

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Foto: Ricardo Stuckert/PR