Fametro, de Maria do Carmo, tem pior nota no curso de medicina no Amazonas

Reprovação no Enamed levanta questionamentos sobre a qualidade da formação de médica e a capacidade de gestão da candidata ao governo.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 20/01/2026 às 13:26 | Atualizado em: 20/01/2026 às 13:29

A avaliação mais recente do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) expôs um cenário preocupante para o ensino privado de medicina no Amazonas.

Cursos particulares de Manaus receberam conceito 1, a nota mais baixa possível, entre eles o da Fametro, instituição ligada à empresária e candidata ao Governo do Amazonas, María do Carmo Seffair (PL).

O resultado coloca a faculdade entre as piores do país e reacende um debate sensível: que tipo de médico está sendo colocado no mercado amazonense .

O desempenho negativo ocorre em um estado que já enfrenta grave carência de médicos, sobretudo no interior, onde a dificuldade de fixação de profissionais compromete o funcionamento do SUS e o atendimento básico à população ribeirinha e indígena.

A expansão acelerada de cursos privados, sem resultados compatíveis em avaliações nacionais, levanta dúvidas sobre a qualidade da formação oferecida e seus impactos diretos na saúde pública.

O contraste com as instituições públicas é evidente.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que demandam altos investimentos do poder público para manter estrutura, hospitais universitários, laboratórios e docentes qualificados, obtiveram conceito 3 no Enamed, considerado regular pelo Ministério da Educação.

Mesmo com custos elevados e sem cobrança de mensalidades, as universidades públicas apresentaram desempenho superior ao das faculdades privadas que cobram valores elevados dos estudantes.

Dizer o quê na campanha?

No campo político, a reprovação do curso da Fametro tem peso adicional por envolver diretamente María do Carmo, que se apresenta como gestora e defensora da eficiência administrativa.

O resultado do Enamed alimenta questionamentos sobre sua capacidade de conduzir políticas públicas complexas, como educação e saúde, quando uma instituição sob sua órbita administrativa não consegue atender aos critérios mínimos de qualidade exigidos pelo próprio governo federal.

Andrenalina que mata

O debate ganha ainda mais relevância diante de episódios recentes que chocaram a sociedade amazonense, como o caso de uma criança que morreu em Manaus após um erro grave de medicação cometido por uma médica.

Embora não haja relação comprovada entre o episódio e a formação da profissional, o caso ilustra o risco concreto de falhas na qualificação médica e reforça a pergunta que emerge a partir do Enamed: a quem a população estará confiando sua saúde nos próximos anos?

O médico no interior

Além de comprometer a segurança do paciente, a formação deficiente tende a agravar a desigualdade regional.

Médicos mal preparados encontram mais dificuldades para atuar em áreas remotas, onde a estrutura é limitada e a tomada de decisão clínica exige ainda mais conhecimento técnico e responsabilidade.

Até o momento, não houve manifestação pública da Fametro nem da candidata María do Carmo sobre o resultado da avaliação.

O Enamed no Amazonas

  • • Fametro (privada): conceito 1
  • • Universidade Nilton Lins (privada): conceito 1
  • • Ufam (pública): conceito 3
  • • UEA (pública): conceito 3

O Enamed é utilizado pelo Ministério da Educação como instrumento de supervisão e pode resultar em sanções, como suspensão de vagas e restrições a programas federais, para cursos com desempenho insatisfatório.

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Foto: imagem gerada por IA