Fifa ignora legado público de 2014 e escolhe CT privado em Manaus
Decisão para Copa de 2027 reacende debate sobre uso e manutenção do legado esportivo no Amazonas.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 16/04/2026 às 10:14 | Atualizado em: 16/04/2026 às 10:15
A divulgação da lista oficial de centros de treinamento (CT) para a Copa do Mundo feminina de 2027 revelou que Manaus segue na rota das grandes competições internacionais, mas sob uma decisão que levanta questionamentos sobre a gestão do legado esportivo na Amazônia.
Enquanto a Arena da Amazônia está confirmada como palco de jogos, a Fifa e a CBF optaram pelo Instituto 3B, um centro privado, em detrimento dos espaços públicos estruturados com vultosos investimentos para o mundial de 2014.
A escolha ignora estruturas como o estádio Ismael Benigno (Colina) e o estádio Carlos Zamith, que foram reformados e construídos, respectivamente, para servirem como campos oficiais de treinamento há uma década.
Na época, a justificativa para o uso de dinheiro público era justamente a criação de um patrimônio que colocaria o Amazonas permanentemente no mapa da infraestrutura esportiva de alto rendimento.
Ao preterir esses locais em favor de uma instituição privada, as entidades que comandam o futebol dão as costas ao discurso de sustentabilidade e aproveitamento de recursos que marcou a candidatura brasileira.
O movimento expõe a fragilidade na manutenção e na articulação política para validar o uso desses espaços, que agora assistem, do banco de reservas, a um novo ciclo de investimentos ser direcionado para fora da esfera estatal.
Falta de planejamento e o “elefante branco”
A decisão de Fifa e CBF também reacende o debate sobre o custo de manutenção do legado de 2014.
Se os centros de treinamento públicos não atendem hoje aos requisitos de uma copa do mundo feminina, mesmo após terem recebido seleções masculinas de elite em 2014, há uma falha evidente de gestão ou uma mudança de critérios que penaliza o contribuinte amazonense.
O Instituto 3B, embora reconhecido pelo trabalho no futebol feminino local, representa uma solução que não dialoga com o investimento estrutural feito pelo Estado.
Para o setor de política e economia do Amazonas, o episódio reforça a percepção de que o “legado” da copa é um conceito volátil, servindo apenas para justificar gastos em grandes obras, mas sendo facilmente descartado pelas entidades esportivas quando novas oportunidades de negócio surgem no horizonte privado.
Enquanto a Arena da Amazônia se prepara para receber as estrelas do futebol mundial, os CT públicos, financiados com recursos que poderiam ter outras destinações na região, ficam à margem da história, expondo a contradição entre o brilho do espetáculo e a realidade da gestão pública na Amazônia.
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