Após convenção de Flávio Bolsonaro, Lula reforça aliança com China

Telefonema de mais de uma hora entre Lula e Xi Jinping no domingo amplia cooperação em inteligência artificial, minerais críticos e fertilizantes.

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 27/07/2026 às 10:50 | Atualizado em: 27/07/2026 às 11:59

No primeiro movimento político após o fim de semana das convenções eleitorais, o presidente Lula da Silva (PT) reforçou a aproximação do Brasil com a China, principal parceiro comercial do país, em uma conversa de mais de uma hora com o presidente Xi Jinping neste domingo (26 de julho).

A iniciativa ocorreu um dia depois das convenções que oficializaram as candidaturas de Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República, marcadas por discursos sobre política externa e pelos recentes desdobramentos diplomáticos envolvendo o Brasil.

Enquanto a oposição tem defendido maior aproximação com os Estados Unidos e criticado a estratégia internacional do governo petista, Lula procurou demonstrar que mantém ativa sua agenda de articulação com os principais atores globais, tendo a China como parceiro estratégico.

Segundo o Palácio do Planalto, os dois presidentes reafirmaram o compromisso de ampliar a cooperação econômica, tecnológica e diplomática entre os dois países.

Leia mais

IA e minerais estratégicos

De acordo com a Presidência da República, Lula e Xi discutiram a implementação das sinergias entre os projetos nacionais de desenvolvimento dos dois países.

Entre os temas considerados prioritários estão:

  • • inteligência artificial;
  • • tecnologia espacial e satélites;
  • • beneficiamento de minerais críticos;
  • • comércio de fertilizantes.

O presidente brasileiro também reiterou que seu governo continuará trabalhando para diversificar mercados e parceiros comerciais.

Outro ponto tratado foi a intenção de acelerar as negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a China, respeitando as flexibilidades consideradas necessárias pelos países do bloco sul-americano.

Comércio e turismo

Os dois chefes de Estado destacaram o crescimento das relações econômicas entre Brasil e China e avaliaram positivamente as jornadas culturais realizadas pelos dois países em 2026.

Também citaram o acordo de isenção de vistos para viagens de curta duração, medida que, segundo ambos, deverá ampliar o fluxo de turistas e estimular novos negócios.

Leia mais

Guerra e defesa do multilateralismo

Na conversa, Lula e Xi também discutiram o cenário internacional.

Os dois manifestaram preocupação com a multiplicação de conflitos armados e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética mundial.

Ao tratarem da guerra no Oriente Médio, afirmaram que as restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb prejudicam a economia global.

Os presidentes também demonstraram preocupação com a situação humanitária em Gaza e defenderam que o Grupo de Amigos da Paz possa contribuir para a retomada das negociações sobre a guerra na Ucrânia.

Por fim, criticaram a dificuldade do Conselho de Segurança das Nações Unidas em responder às crises internacionais e reafirmaram o compromisso de Brasil e China com o fortalecimento do multilateralismo.

Sinal político

Embora apresentada como agenda diplomática, a conversa entre Lula e Xi ocorre em um ambiente de forte polarização eleitoral no Brasil.

Com as candidaturas oficialmente lançadas, a política externa tende a ganhar maior espaço na campanha presidencial, contrapondo diferentes visões sobre comércio internacional, alianças estratégicas, Brics e a posição do Brasil diante das principais potências mundiais.

Nesse cenário, o telefonema divulgado pelo Planalto sinaliza que o governo pretende transformar o fortalecimento das relações com a China, hoje o maior parceiro comercial brasileiro, em um dos ativos políticos de sua campanha à reeleição.

Foto: Ricardo Stuckert/PR