Governo Lula vê TariFlávio como ‘marco lastimável’ na relação com EUA

Planalto reage ao tarifaço de Trump, promete aplicar a Lei da Reciprocidade e diz que medida rompe uma tradição histórica entre os dois países.

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Publicado em: 16/07/2026 às 08:35 | Atualizado em: 16/07/2026 às 08:37

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como um “marco lastimável” a decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Em resposta, o Planalto anunciou que iniciará os procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica e poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em nota oficial, o governo afirmou que a medida rompe uma tradição histórica de diálogo entre os dois países e rejeitou as justificativas apresentadas pela administração de Donald Trump para aplicar a sobretaxa.

Segundo o comunicado, não existe fundamento para medidas unilaterais contra o Brasil. O Planalto também ressaltou que, nos últimos 15 anos, os próprios dados do governo americano apontam um superávit de US$ 424,5 bilhões dos Estados Unidos na balança de bens e serviços com o Brasil.

O governo brasileiro também saiu em defesa do PIX, um dos principais alvos das críticas americanas. A nota afirma que o sistema de pagamentos é uma infraestrutura pública aberta, referência internacional e não prejudica empresas estrangeiras. Além disso, classificou como “descabidas” as acusações relacionadas ao PIX, à regulação das plataformas digitais e ao combate ao desmatamento.

As tarifas passam a valer em 22 de julho, mas os Estados Unidos deixaram de fora da cobrança diversos produtos relevantes da pauta brasileira, entre eles café, carne bovina, carne de frango, laranja, petróleo, celulose e aeronaves.

Leia a nota na íntegra:

NOTA À IMPRENSA SOBRE A IMPOSIÇÃO DE TARIFAS UNILATERAIS CONTRA O BRASIL PELOS ESTADOS UNIDOS

O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável.

O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país. Segundo estatísticas do próprio governo norte-americano, os EUA acumularam nos últimos 15 anos US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil.

Em 2025, 76% das importações originárias dos EUA entraram no país sem pagar imposto de importação, e a alíquota média efetivamente aplicada sobre produtos norte-americanos foi de apenas 3,1%.

O Brasil não reconhece a legitimidade de investigações sem amparo nas regras multilaterais de comércio. Apesar disso, nunca deixamos a mesa de negociação para defender os interesses nacionais.

Ao longo do último ano, o governo brasileiro atuou ininterruptamente junto ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) pelo encerramento das investigações baseadas na Seção 301, apresentando evidências que refutam cada uma das alegações sobre supostas práticas desleais de comércio adotadas pelo Brasil.

Demonstramos que são descabidas as alegações contra o PIX e a regulação de plataformas digitais, bem como são absurdas as acusações sobre desmatamento. O PIX é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital. No Brasil, não vamos abdicar de proteger nossas famílias e nossas crianças contra a ganância de um punhado de tecno-oligarcas. A liberdade de expressão não é carta branca para a criminalidade. O mundo inteiro sabe que, a partir de 2023, combatemos de forma incisiva os ilícitos ambientais e reduzimos drasticamente o desmatamento em todos os biomas brasileiros.

Nas audiências públicas promovidas pelo USTR na semana passada, 63 das 78 intervenções feitas por representantes do setor privado brasileiro e norte-americano foram contrárias ao tarifaço.

O governo do Brasil seguirá adotando medidas para reduzir os danos causados à economia e à renda dos brasileiros. Continuaremos a diversificar parcerias comerciais e a abrir novos mercados para nossos produtos, como fizemos ao firmar acordos do MERCOSUL com a União Europeia, a Associação Europeia de Livre Comércio e Singapura.

Por meio do Plano Brasil Soberano, manteremos medidas de proteção aos setores afetados por tarifas ilegais e arbitrariamente impostas pelo governo dos EUA, preservando empregos e a capacidade produtiva nacional.

O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC.

É triste constatar que o lamentável desfecho das investigações baseadas na Seção 301 faz parte do enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro. São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros.

Não se pode amar o Brasil apenas quando vencemos eleições. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil