O ex-deputado Jean Wyllys (Psol-RJ) disse, em entrevista no programa Conversa com Bial, de sexta-feira (12), que não se arrepende de ter cuspido no então deputado federal Jair Bolsonaro em 2016 na Câmara. Ele disse ter sido chamado de “queima rosca” e se indignou.

Para Wyllys, segundo reportagem publicada no site MSN Notícias, Bolsonaro (PSL) nunca o tratou como um adversário político, mas como inimigo, e não se arrepende de ter cuspido no capitão.

“Uma das razões de eu ter deixado o mandato foi que eu teria 4 anos de um mandato reativo, não seria propositivo”, afirmou. “O presidente nunca me tratou como adversário, me tratou como inimigo”, completou.

O ex-deputado contou que não se arrepende do episódio em que deu uma cuspida em Bolsonaro na Câmara dos Deputados durante o impeachment de Dilma Rousseff. Wyllys foi advertido pela Câmara por ato dele.

“Não me arrependo de nada, tenho orgulho e tem uma explicação para isso. Vivíamos um momento tenso no país, antes de mim, por ordem alfabética, votou Jair Bolsonaro e ele elogiou um torturador. Para completar, eu proferi meu voto e quando voltei ele disse “queima rosca”, como se fosse um garoto. Olhei e vi que era ele, aí fui tomado por um transe, aquela figura me enojava tanto, que foi a reação que eu tive. Eu jamais cuspiria na cara de uma pessoa em condições normais, mas era um acúmulo de xingamentos, de anos de assédio moral, de violência contra mim, de tudo. Naquele dia, foi demais e eu explodi”, afirmou Wyllys.

Eleito para o terceiro mandato como deputado federal, Jean Wyllys decidiu renunciar e deixar o país em razão de ameaças de morte que vinha sofrendo, segundo versão dele.

O ex-parlamentar afirmou que após a decisão, ainda recebeu duas ameaças.

 

Foto: Reprodução/YouTube/TV Globo