Lula contrapõe educadores e influencers e usa Bolsonaro como exemplo ruim
Presidente critica popularidade de conteúdos superficiais nas redes e afirma que quem fala “bobagem” alcança mais seguidores do que quem transmite conhecimento sério.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 18/01/2026 às 15:46 | Atualizado em: 18/01/2026 às 15:47
O presidente Lula da Silva fez críticas diretas ao funcionamento das redes sociais e à lógica de popularidade dos conteúdos digitais ao citar Bolsonaro como exemplo do que classificou como valorização do vazio e da superficialidade na internet.
A declaração foi feita durante evento no Rio de Janeiro que marcou os 90 anos da criação do salário mínimo, poucas horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar a transferência de Bolsonaro da cadeia da Polícia Federal para a penitenciária da Papuda, em Brasília.
Ao discursar, Lula abordou os impactos da inteligência artificial e o que chamou de facilitação excessiva do consumo de conteúdos nas plataformas digitais. Segundo ele, temas rasos tendem a alcançar muito mais visibilidade do que conteúdos educativos, científicos ou formativos.
O presidente comparou diretamente a popularidade de influenciadores digitais com a de profissionais da educação, destacando que professores e pessoas que transmitem conhecimento sério não alcançam os mesmos números de seguidores nas redes sociais.
Lula afirmou não conhecer professores de matemática, geografia ou outras áreas do conhecimento que reúnam milhões de seguidores, enquanto criadores de conteúdo voltados a temas considerados irrelevantes acumulam audiências muito superiores.
Na sequência, citou Bolsonaro como exemplo desse fenômeno, mencionando o número expressivo de seguidores que o golpista condenado mantinha nas redes sociais, apesar do conteúdo que divulgava.
“A podridão não está nem começando na inteligência artificial. E todos nós gostamos de coisas fáceis. Você não vê um influencer… uma profissão chamada influencer, os caras trabalham na internet e têm 3 milhões de seguidores. Eu não conheço um professor de matemática que tenha 4 milhões de seguidores, eu não conheço um professor de geografia que tenha 4 milhões de seguidores, eu não conheço ninguém que ensine uma coisa séria que tenha 4 milhões. Mas se o cara estiver falando bobagem, pode até ter 20 milhões. O Bolsonaro tinha 30 milhões”.
A fala reforça o discurso crítico de Lula sobre o papel das redes sociais na formação da opinião pública e ocorre em um momento de forte simbolismo político, marcado pelo avanço das decisões judiciais que atingem o ex-presidente e pelo debate sobre os limites da influência digital na democracia.
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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
