Aguinaldo Rodrigues, da Redação

 

O médico obstetra Armando Andrade de Araújo, de 71 anos, que aparece em vídeo que viralizou na internet em fevereiro agredindo uma parturiente, vulnerável na mesa na hora de dar à luz, conseguiu na Justiça autorização para continuar fazendo partos.

Nesta quarta, dia 13, uma liminar assinada pelo juiz Diógenes Vidal Pessoa Neto, da 6ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho, do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), determina que o Instituto de Ginecologia e Obstetrícia do Estado (Igoam) volte, urgentemente, a escalar o médico nos plantões das maternidades.

Armando Araújo alegou que o regimento interno do Igoam não prevê seu afastamento da atividade antes que um demorado e burocrático processo transcorra internamente.

Embora tenha cassado a decisão da diretoria do instituto, o juiz permite que o Igoam faça as correções indicadas e prossiga o processo contra o médico “para qualquer das penalidades que entender cabível”.

 

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O que alegou o médico

Conforme o regimento interno do Igoam, argumentado por Armando Araújo, “as denúncias deverão ser feitas sempre por escrito pelo interessado”. Ou seja, as pacientes agredidas, além do vídeo mostrando agressão, têm de fazer um registro no papel contra o médico.

Depois de abertura do processo, todos os envolvidos devem ser ouvidos. Segundo o obstetra, o Igoam não lhe concedeu “direito do contraditório e da ampla defesa”. O juiz concordou com Armando Araújo.

E acrescentou ainda que o Igoam feriu a Constituição ao aplicar uma suspensão sem previsão do prazo, de “caráter perpétuo”.

Qualquer punição ao denunciado teria de passar por burocracia interna do instituto, em que uma comissão disciplinar emite parecer reservado (sigiloso) por escrito propondo ou não penalidade.

 

Reveja o vídeo da agressão a parturiente

 

Agressões que se repetem

Depois que foi flagrado no centro cirúrgico agredindo paciente na maternidade Balbina Mestrinho, na região sul da capital, em 2018, Armando Araújo foi denunciado por suas próprias assistentes da maternidade Galileia, na zona norte, de agir da mesma forma em seus plantões. E isso no mesmo dia que sua imagem corria o mundo.

Enfermeiras e técnicas de saúde disseram não mais suportar trabalhar com o obstetra Armando Araújo. Chegaram a caracterizá-lo como “nojento, caquético, sem pudor, horrível, muito desumano e que não tem higiene”.

O médico seria contumaz em humilhar e constranger parturientes.

 

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Foto: Reprodução/TV