MP-AM diz que sucessor do ‘Eduardo Ribeiro’ virou ‘depósito de gente’
Ministério Público afirma que unidade psiquiátrica criada para acolher pacientes da saúde mental segue com abandono estrutural, falta de profissionais e risco aos moradores
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 09/07/2026 às 19:58 | Atualizado em: 09/07/2026 às 19:59
O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) voltou a denunciar a situação da residência terapêutica Lar Rosa Blaya e afirmou que a unidade, criada para receber pacientes oriundos do histórico centro psiquiátrico Eduardo Ribeiro, foi transformada em um “verdadeiro depósito de gente”.
A declaração foi feita pelo promotor de Justiça Vítor da Fonseca, titular da 42ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência, após nova inspeção realizada neste ano.
Segundo o MP-AM, os problemas constatados se repetem desde 2022, apesar das sucessivas fiscalizações e das medidas judiciais já adotadas contra o estado.
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“Depósito de gente”
Para o promotor, o serviço deixou de cumprir a função de promover acolhimento e reabilitação de pessoas com transtornos mentais.
"O que deveria ser um local de acolhimento para pessoas com a saúde mental comprometida foi transformado em um verdadeiro depósito de gente".
Na avaliação do órgão, além da precariedade estrutural, faltam serviços considerados essenciais para o tratamento dos moradores.
Entre as irregularidades apontadas estão:
• ausência de projetos terapêuticos individuais;
• déficit de psicólogos, assistentes sociais e nutricionistas;
• inexistência de cronogramas de reabilitação e reinserção comunitária;
• risco para pacientes diabéticos e hipertensos pela falta de acompanhamento nutricional;
• estrutura física deteriorada.
Herdeiro do Eduardo Ribeiro
O MP destaca que o Lar Rosa Blaya nasceu justamente como alternativa ao antigo centro psiquiátrico Eduardo Ribeiro, instituição que durante décadas concentrou o atendimento psiquiátrico no Amazonas e marcou a história da assistência em saúde mental no estado.
Hoje, a residência abriga, entre outros usuários, pacientes transferidos daquela antiga unidade e também pessoas vindas do antigo Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico de Manaus.
Durante a fiscalização, os promotores constataram que alguns desses pacientes chegaram sem documentação adequada e permanecem sem o acompanhamento terapêutico considerado necessário.
Decisões judiciais
A promotora Cláudia Maria da Câmara, da 54ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos à Saúde Pública, afirmou que as condições do imóvel continuam se deteriorando por falta de manutenção.
Segundo ela, o serviço prestado aos moradores vem sendo negligenciado pelo poder público.
O MP-AM informou que já obteve decisão judicial obrigando o Governo do Amazonas a garantir atendimento de psicologia, assistência social e nutrição aos residentes.
Outra ação civil pública, que pede a reforma estrutural completa da unidade, ainda aguarda julgamento.
A nova inspeção reforça, segundo o Ministério Público, que os problemas persistem há anos, apesar de o estado ter conhecimento das deficiências apontadas nas sucessivas fiscalizações.
Foto: divulgação/MP
