Nome de Flávio Bolsonaro para economia já tramou contra ZFM
Daniella Marques integrou equipe de Paulo Guedes durante ofensiva que colocou em risco a competitividade da Zona Franca de Manaus
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 15/06/2026 às 14:42 | Atualizado em: 15/06/2026 às 14:42
A escolha da economista Daniella Marques para integrar a equipe responsável pelo plano econômico do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) reacende um alerta em setores políticos e empresariais do Amazonas.
O anúncio foi feito nesta segunda-feira (15) pelo próprio Flávio Bolsonaro. Ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Bolsonaro, Daniella é uma das figuras mais próximas do ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Ela participou diretamente da formulação de medidas econômicas que provocaram forte reação da bancada amazonense e das entidades ligadas à Zona Franca de Manaus (ZFM). Isso foi no início de 2022.
Para o Amazonas, o histórico da economista não passa despercebido.
Durante o governo Bolsonaro, Daniella Marques foi considerada uma das principais auxiliares de Paulo Guedes justamente no período em que o Ministério da Economia patrocinou sucessivos cortes lineares do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), medida apontada por empresários, parlamentares e especialistas como uma ameaça ao diferencial competitivo da ZFM.
A redução do IPI atingia o principal mecanismo de proteção da indústria instalada em Manaus. Na prática, diminuía a vantagem tributária que sustenta o modelo econômico da região.
Naquele período, a reação foi imediata. A bancada do Amazonas mobilizou ações judiciais, entidades empresariais pressionaram Brasília e o tema chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A preocupação aumenta porque Daniella não era uma observadora externa do processo. Ela fazia parte do núcleo decisório da equipe econômica que defendia as mudanças.
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Promessa de defesa e conflito com a realidade
Um dos episódios mais lembrados ocorreu quando Daniella Marques assumiu papel de destaque nas discussões sobre o futuro da ZFM.
Em março de 2022, ela presidiu uma reunião do Conselho de Administração da Suframa (CAS), substituindo Paulo Guedes. Na ocasião, transmitiu discurso de apoio ao modelo econômico amazonense e afirmou reconhecer a importância estratégica da ZFM para a região.
Nos meses seguintes, porém, o governo Bolsonaro manteve a política de redução do IPI que continuava sendo vista em Manaus como uma ameaça direta à competitividade do polo industrial.
A contradição entre o discurso de defesa da ZFM e as medidas efetivamente adotadas pelo Ministério da Economia alimentou críticas de lideranças políticas e empresariais do estado.
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Herança de Paulo Guedes
A preocupação não se restringe ao passado recente.
Paulo Guedes tornou-se conhecido por defender mudanças profundas no modelo. Em diversas ocasiões, manifestou incômodo com os incentivos fiscais concedidos ao polo industrial amazonense e defendia uma revisão estrutural do sistema tributário que sustentava o modelo.
Daniella Marques foi uma das colaboradoras mais próximas do ex-ministro e chegou a ser apontada, ainda durante o governo Bolsonaro, como uma das principais herdeiras de seu pensamento econômico.
Agora, ao assumir protagonismo na elaboração do programa econômico de Flávio Bolsonaro, volta a despertar desconfiança entre aqueles que enxergam na ZFM um instrumento essencial para a preservação da economia regional, da arrecadação pública e da floresta amazônica.
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Sinal para 2026
A entrada de Daniella Marques na campanha presidencial oferece um primeiro sinal sobre qual poderá ser a orientação econômica de um eventual governo Flávio Bolsonaro.
No Amazonas, onde a defesa da ZFM costuma unir adversários políticos de diferentes correntes ideológicas, o movimento é acompanhado com atenção.
Afinal, para muitos atores locais, o nome escolhido para desenhar a economia do país traz consigo a memória de um dos períodos mais turbulentos já enfrentados pelo modelo industrial de Manaus desde a criação da ZFM.
Foto: divulgação
