Por Iram Alfaia, de Brasília

 

Em viagem a Brasília nesta semana, o governador Wilson Lima (PSC) ouviu do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e do próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL), que o Fundo Amazônia será mantido. O programa recebe doações da Noruega e Alemanha para investimentos em projetos sustentáveis na Amazônia.

Contudo, o Brasil precisa chegar a um acordo com os dois países que não aceitam mudanças na gestão do Fundo propostas pelo governo Bolsonaro, sobretudo a Noruega que é responsável por 93,8% das doações que chegam a R$ 3 bilhões.

Nesta terça-feira, dia 9, mesmo dia em que recebia o governador amazonense, o ministro Ricardo Salles também reuniu com o ministro da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento da Alemanha, Gerd Müller, a fim de resolver logo o problema.

No entanto, o embaixador norueguês Nils Gunneng, figura central nas negociações, não compareceu ao encontro e nem deu explicações.

 

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Na semana passada, ministro do Clima e Meio Ambiente daquele país, Ola Elvestuen, azedou ainda mais as relações ao afirmar que não via necessidade de mudança na estrutura de administração e pressionou o governo contra os índices crescentes de desmatamento na região.

 

Problemas políticos

No parlamento há quem não contribua para apaziguar os ânimos. O senador Marcio Bittar (MDB-AC) elogiou o governo Bolsonaro “por exigir prestação de contas dos projetos financiados com dinheiro do Fundo Amazônia”.

 

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“Aqueles que estão nos assistindo no Sudeste, no Sul, parem de ficar imaginando que nós vamos viver de ecoturismo. Perguntem para suas próprias famílias quais os filhos e netos estão programando férias no seio da Floresta Amazônica. Nenhum, porque aquilo é inóspito. Nós não temos estradas, porque quando se fala em fazer uma estrada na Amazônia, o mundo quase cai, porque vai acabar com a Amazônia, vai destruir tudo. Se você não tem estrada, não tem ramal, como é que se produz, como escoa a produção?”, discursou o senador nesta quarta-feira, dia 10.

Parlamentar de fora da região, o senador gaúcho Paulo Paim (PT) tem um pensamento bem diferente do colega acriano. Segundo ele, o Fundo Amazônia é uma das saídas brasileiras para impulsionar o desenvolvimento da região.

 

Foto: Marcos Correa/PR