ONU, que nada adianta contra Trump, trata hoje do ataque à Venezuela

Brasil condena ofensiva e reafirma defesa da soberania, mas diplomatas admitem que reunião do Conselho de Segurança não deve produzir efeitos práticos

ONU, que nada adianta contra Trump, trata hoje do ataque à Venezuela

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 05/01/2026 às 09:00 | Atualizado em: 05/01/2026 às 09:00

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) reúne hoje (5) para tratar dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela. Na ocasião, o Brasil vai condenar formalmente a ação americana. Embora o próprio governo reconheça que o encontro dificilmente resultará em mudanças concretas na situação do país vizinho.

A decisão do governo do presidente Lula da Silva (PT) de fazer uso da palavra na sessão segue a linha tradicional da diplomacia brasileira, baseada na defesa da soberania das nações, da integridade territorial e no rechaço a qualquer tipo de intervenção externa.

O discurso será lido pelo embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese. Como informa o blog do Valdo Cruz, no g1.

Segundo diplomatas brasileiros, o objetivo do posicionamento é reafirmar que a América do Sul não pode voltar a ser uma região regida pela chamada “lei da selva”, com imposições de força e ameaças unilaterais.

Além disso, o Brasil também defende que qualquer processo de transição de poder na Venezuela seja conduzido exclusivamente pelos venezuelanos, preservando o controle nacional sobre seus recursos naturais.

Dentro desse contexto, o Palácio do Planalto demonstrou preocupação com recentes ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não apenas contra a Venezuela, mas também envolvendo a Colômbia, o que elevou o alerta do Itamaraty sobre possíveis efeitos desestabilizadores na região.

O tom do discurso brasileiro na ONU deve repetir o conteúdo da nota divulgada anteriormente pelo presidente Lula, cobrando o respeito ao direito internacional e condenando qualquer ameaça à soberania dos países ou violação das normas internacionais. Essa mesma postura vem sendo adotada por diversos países da América Latina, além de nações da Europa e da Ásia.

Apesar disso, o governo brasileiro avalia que a reunião do Conselho de Segurança terá caráter majoritariamente simbólico. A expectativa é de que o encontro sirva mais como palco para a troca de acusações e posicionamentos entre Venezuela e Estados Unidos, sem deliberações práticas ou ações específicas ao final do debate.

Cientes das limitações da ONU diante do atual cenário geopolítico, países latino-americanos articularam uma nota conjunta, divulgada neste domingo (4), reafirmando a condenação aos ataques realizados pelos Estados Unidos contra a Venezuela, numa tentativa de demonstrar unidade regional frente à escalada de tensões.

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Foto: reprodução/Agência Brasil