Equipes de 150 policiais e agentes federais da Receita realizam na manhã desta quinta-feira, dia 11, uma ação de desdobramento da operação Maus Caminhos em Manaus.

Um dos alvos seriam empresas de um grupo que atua no Amazonas e na região Norte vendendo e distribuindo produtos e equipamentos da área de saúde, além de serviços. Condomínios de luxo também estariam sendo visitados.

Nos primeiros minutos desta manhã, viaturas da Polícia Federal e da Receita foram vistos na alameda Cosme Ferreira, no Coroado, zona leste, onde fica a sede do grupo.

Ainda não foram divulgadas informações oficiais sobre a operação. O BNC Amazonas acompanha o desenrolar das ações e trará novidades a qualquer momento.

 

Atualização às 07h11

O desdobramento da Maus Caminhos foi batizada de operação Cash Back (dinheiro de volta), e mira empresários que vendiam produtos e serviços ao Governo do Estado e em seguida devolviam parte do dinheiro.

Inquérito da Polícia Federal apurou fraudes na realização de pagamentos superfaturados aos empresários, cuja contrapartida para a contratação era a devolução de parte do valor recebido. Só em um dos contratos, de R$ 552 milhões, a fraude teria sido de R$ 140 milhões.

A operação cumpre 16 mandados de prisão temporária, 40 de busca e apreensão e de bloqueio de bens.

Além de agentes da Polícia Federal e Receita, participam também da Controladoria-Geral da União (CGU).

Com informações do repórter Charles Fernandes, da Rede Tiradentes.

Sobre a operação Maus Caminhos

Foi desencadeada em 2016 contra um grupo de pessoas que desviava recursos públicos por meio de contratos firmados com o governo do estado para a gestão de unidades de saúde em Manaus, Rio Preto da Eva e Tabatinga.

O alvo principal foi o Instituto Novos Caminhos (INC), do médico Mouhamad Moustafa, que comandava o esquema fraudulento.

As investigações que deram origem à operação demonstraram que, dos quase R$ 900 milhões repassados, entre 2014 e 2015, pelo Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao Fundo Estadual de Saúde (FES), mais de R$ 250 milhões teriam sido destinados ao INC.

A apuração indicou o desvio de R$ 50 milhões em recursos públicos, além de pagamentos a fornecedores sem contraprestação ou por serviços e produtos superfaturados, movimentação de grande volume de recursos via saques em espécie e lavagem de dinheiro pelos líderes da organização criminosa.

Até agora, mais 40 ações penais resultantes da operação Maus Caminhos já foram ajuizadas pelo MPF na Justiça Federal, uma delas com condenação judicial cujas penas, somadas, ultrapassam 36 anos de prisão.

O MPF ajuizou também mais de 30 ações de improbidade administrativa decorrentes da investigação.

Até hoje haviam sido realizadas as operações Custo Político e Estado de Emergência, desdobramentos da operação Maus Caminhos. Essas fases mostraram o envolvimento de agentes públicos e políticos do Governo do Amazonas, entre eles o ex-governador José Melo (Pros) e ex-secretários de Estado em um esquema de propina.

Fonte: MPF/AM

 

Foto: Reprodução/TV Tiradentes (arquivo)