Roberto Cidade: o conciliador das tormentas
Ele conseguiu entender interesses e demandas de aliados e opositores, palavra que não se usa desde que ele chegou ao comando da ALE-AM, em 2021.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 10/04/2026 às 06:16 | Atualizado em: 10/04/2026 às 06:16
A política, em sua essência, costuma ser o terreno do conflito, especialmente quando o troféu em disputa é a cadeira do poder. Nesse caso, a chave do cofre da máquina pública mais importante do Amazonas em ano de sucessão estadual.
No entanto, o que se viu nesta quinta-feira, dia 9, na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), desafiou a lógica do impossível, do “ambiente árido” que historicamente define as sucessões estaduais.
Sob o regência de Roberto Cidade, governador interino e presidente do Legislativo, a aprovação da lei que definiu o rito da eleição indireta para o governo-tampão foi mais do que um trâmite burocrático. Em suma, pode-se dizer que foi uma exibição de articulação política.
Unanimidade em meio a conflitos
Em um cenário onde grupos políticos se movimentam freneticamente para a eleição marcada para o dia 4 de maio, o esperado seria um plenário inflamado por debates imprevisíveis. O resultado, porém, foi o oposto. A votação ocorreu sem desgastes, sem bate-boca e com aprovação unânime.
Essa unanimidade não caiu do céu. Ela foi construída tijolo por tijolo por Cidade. Pelo que se viu, ele demonstrou, mais uma vez, possuir sensibilidade fora do comum. Com essa habilidade, ele conseguiu entender interesses e demandas de aliados e opositores, palavra que não se usa desde que ele chegou ao comando da ALE-AM, em 2021.
O legado da pacificação
Para entender o fenômeno Roberto Cidade, é preciso olhar pelo retrovisor. Quem não se lembra do biênio 2018-2019? A relação entre o Executivo e o Legislativo era marcada por arestas expostas e uma desconfiança mútua que travava a pauta do estado. No período, impeachment e afastamento do governo eram palavras recorrentes na relação governador X deputados.
Desde que assumiu a presidência da Casa em 2021, Cidade implementou um estilo de gestão que se fundou no diálogo contínuo. Sua habilidade em conciliar interesses foi tamanha que uniu gregos e troianos. De pronto, conseguiu pacificar a relação institucional com o Governo do Estado.
O resto viria como consequência. Cidade consolidou sua liderança sendo reeleito para segundo e terceiro mandatos consecutivos na presidência da ALE-AM. A terceira eleição ainda mais impressionante e rara: e veio por unanimidade, fato incomum na história política do país.
Além disso, Roberto Cidade neutralizou o conflito ao criar um ambiente onde o debate de ideias prevalece sobre o ataque pessoal, transformando a Assembleia em um porto seguro de estabilidade institucional.
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Equilíbrio
Atualmente, o Amazonas vive um momento de excepcionalidade política. A movimentação dos grupos pelo poder é intensa e as tensões naturais de uma eleição indireta poderiam paralisar o estado. Roberto Cidade, vestindo o figurino de magistrado, preferiu o caminho da conciliação.
Nesse sentido, o que se viu ontem na votação das regras para o governo-tampão foi o reflexo de um líder que entende que a estabilidade do Amazonas vale mais do que qualquer vitória efêmera no grito.
Ao pregar a harmonia na diferença, em um momento de incertezas, o governador interino reafirma sua posição como o grande fiador da paz política no estado. No tabuleiro de xadrez do Amazonas, onde as peças costumam se chocar com violência, Roberto Cidade mostra que é possível mover a rainha e os peões em harmonia, garantindo que, ao final do dia, a democracia e o rito legal saiam vencedores.
Se a eleição de maio é o destino, a forma como Cidade conduziu o processo nesta quinta-feira mostra que o caminho, sob sua liderança, será pavimentado pelo diálogo e pelo respeito institucional.
Foto: divulgação
