Suspensão de pesquisa por ministro bolsonarista é tratada como censura

Nunes Marques tomou decisão sobre pedido de Flávio Bolsonaro por pesquisa desfavorável para si.

Pedido de vista adia de novo possível cassação de deputados bolsonaristas

Publicado em: 09/06/2026 às 09:16 | Atualizado em: 09/06/2026 às 09:17

A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, de suspender uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel/Bloomberg provocou reação imediata entre parlamentares de esquerda e acendeu um alerta nos bastidores do Partido dos Trabalhadores (PT).

O levantamento, divulgado após a revelação do caso “Dark Horse”, apontava queda de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno contra o presidente Lula. A pré-campanha do senador questionou o conteúdo do questionário e pediu a retirada da pesquisa do ar.

Lideranças petistas classificaram a medida como censura. O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai, afirmou que Flávio enfrenta desgaste político após a divulgação das mensagens envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Já o deputado Lindbergh Farias avaliou que o senador acabou recolocando o tema em evidência ao recorrer à Justiça Eleitoral.

Apesar das críticas da esquerda, aliados de Flávio adotaram postura discreta. O próprio senador limitou-se a divulgar a decisão nas redes sociais. Entre os parlamentares bolsonaristas, poucos comentaram o caso publicamente.

Nos bastidores, integrantes do PT passaram a observar com mais atenção a atuação de Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A ação chegou ao Tribunal Superior Eleitoral em 19 de maio. O ministro decidiu sobre o pedido apenas 20 dias depois, quando a pesquisa já circulava amplamente no debate público.

A AtlasIntel afirmou que seguiu critérios técnicos durante a coleta de dados. Segundo a empresa, os entrevistados responderam às perguntas sobre intenção de voto antes de terem acesso ao conteúdo relacionado ao áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

O levantamento ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio por meio de recrutamento digital aleatório. A pesquisa foi encomendada pela Bloomberg.

A equipe de Flávio Bolsonaro sustenta que a estrutura do questionário associava o senador ao caso Banco Master e induzia percepções negativas entre os entrevistados.

Saiba mais no ICL Notícias.

Leia mais

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil