Amazônia: estudo aponta temperatura subindo acima do normal
Relatório internacional revela que a região aquece mais rápido que a média global e já sofre impactos sociais e ambientais graves.
Publicado em: 02/10/2025 às 20:28 | Atualizado em: 02/10/2025 às 20:32
Amazônia aquece em ritmo alarmante. Um estudo internacional aponta aumento de 0,77 °C por década desde 1981, superando a média global de 0,21 °C.
Segundo os pesquisadores, o avanço dos eventos climáticos extremos ameaça levar a floresta a um ponto crítico. Secas, incêndios e perda de biodiversidade já são evidências do colapso.
A análise dividiu a região em células de 11 km e usou dados de satélites e estações meteorológicas. O objetivo foi medir a temperatura e o estresse hídrico.
“Estamos mais interessados no período quente e seco, pois é quando os danos causados pelas altas temperaturas podem ser maiores”, explicou Jos Barlow, da Universidade de Lancaster.
O relatório mostra que o centro-norte da Amazônia concentra o crescimento mais rápido de extremos climáticos, enquanto o sul, marcado pelo desmatamento, lidera o aquecimento médio.
“As taxas de mudança nos extremos climáticos são muito mais altas do que no clima médio. Isso mostra que o clima amazônico não está mudando uniformemente”, disse Nathália Carvalho.
Os impactos já são visíveis. As secas de 2023 e 2024 reduziram pesca, remédios e até o acesso à água. “Manter a floresta em pé não é suficiente”, alerta Helga Correa, do WWF-Brasil.
Amazônia também registrou a primeira morte em massa de mamíferos observada, incluindo preguiças. Espécies de aves tiveram expectativa de vida alterada, e incêndios ampliaram a poluição em Manaus.
“Os eventos extremos impactam os meios de subsistência locais de várias maneiras, como o açaí. Isso ameaça a segurança alimentar e as políticas públicas em andamento”, destacou Joice Ferreira, da Embrapa.
O estudo, lançado poucas semanas antes da COP 30, reforça a necessidade de ação global urgente contra as mudanças climáticas, em nome da justiça ambiental.
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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
