Bolsonarista do agro nega água a diaristas e ataca Bolsa-Família

"Vocês estão aqui pra trabalhar, não pra tomar água", disse empresário que paga diária de R$ 30.

Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 23/09/2025 às 12:14 | Atualizado em: 23/09/2025 às 12:19

Um empresário do agronegócio, alinhado ao bolsonarismo, voltou a ser alvo de críticas após viralizar nas redes sociais ao expor trabalhadores rurais contratados para sua lavoura sob condições degradantes, em Promissão (SP).

O vídeo mostra o empreendedor acusando os funcionários de recusarem a diária de R$ 30, sem acesso à água ou qualquer proteção contra um sol de quase 40°, alegando que eles “não querem trabalhar porque recebem Bolsa-Família”.

A humilhação pública reforça um padrão de ataques às políticas sociais e evidencia práticas que beiram o trabalho análogo ao escravo, recorrentes no setor dominado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Não é a primeira vez que o empresário age dessa forma. Meses atrás, ele também viralizou ao afirmar que preferia destruir sua produção a vender alimentos mais baratos ou mesmo doar para famílias necessitadas, aprofundando o debate sobre o papel do agro na crise alimentar e no desmonte das políticas de proteção social no Brasil.

A exposição sistemática dos trabalhadores, frequentemente sem qualquer garantia básica de infraestrutura, remete a práticas condenadas internacionalmente por violar direitos humanos e trabalhistas.

No contexto de ataques bolsonaristas às políticas sociais, o Bolsa-Família, que hoje paga em média R$ 682 para quase 19 milhões de famílias, segue alvo de culpabilização por parte do setor rural, ignorando o fato de que o benefício busca garantir o mínimo de dignidade para populações vulneráveis.

O discurso de que os trabalhadores “preferem o benefício ao trabalho” mascara condições de exploração, salários irrisórios e a falta de acesso a direitos fundamentais, como descanso, água potável e alimentação adequada.

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Casos recentes de fiscalização identificaram situações análogas à escravidão em grandes unidades do agronegócio, sobretudo ligadas ao bolsonarismo: trabalhadores recrutados sob promessas enganosas acabam submetidos a jornadas extenuantes, alojamentos precários e abusos diversos, incluindo tráfico de pessoas e retenção ilegal de salários.

A recusa em garantir direitos mínimos aos empregados, somada à demonização das políticas sociais, revela um conflito estrutural entre o modelo agroindustrial bolsonarista e o projeto de desenvolvimento rural sustentável impulsionado pelas políticas públicas atuais.

Especialistas, organizações sindicais e movimentos sociais cobram responsabilização dos agentes do agro por violações recorrentes, principalmente no meio ambiente, e defendem reformas agrárias e regulação mais rígida sobre as condições de trabalho no campo, apontando que a criminalização da pobreza e o desprezo pela dignidade do trabalhador têm raízes profundas em setores conservadores do agronegócio brasileiro.

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Foto: reprodução/redes sociais