COP30: Brasil detalha metas visando a próxima edição

O Brasil busca consolidar o legado da COP30 com foco na implementação prática de metas climáticas e novos modelos de financiamento.

Publicado em: 08/03/2026 às 16:03 | Atualizado em: 08/03/2026 às 16:03

A oito meses da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31), que será realizada em Antália, na Turquia, o Brasil acelera os trabalhos para consolidar o legado da CO 30. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da conferência realizada no Brasil, detalhou as estratégias para transformar promessas globais em ações práticas.

A Transição da Negociação para a Implementação

Segundo o embaixador, o foco atual é garantir que as conferências do clima entrem em uma “fase de implementação”. O objetivo é que os fóruns deixem de ser apenas espaços de debate jurídico e se tornem instrumentos efetivos para executar as metas científicas no curto prazo que resta para evitar o colapso climático.

“Queremos assegurar que os principais legados da COP30 sejam plenamente absorvidos pela preparação da COP31”, afirmou Corrêa do Lago, destacando a coordenação com as futuras presidências da Turquia e da Austrália.

Mapas do Caminho e o Fim dos Fósseis

Uma das prioridades da presidência brasileira é a elaboração de roadmaps (mapas do caminho) para temas sensíveis, como o fim do desmatamento global e a transição para longe dos combustíveis fósseis. Embora a Colômbia tenha ganhado destaque recente no tema dos fósseis, o embaixador esclarece que a liderança política partiu do presidente Lula.

O desafio, contudo, é o consenso. “Para entrar na agenda (da ONU), tem que haver consenso. Como não há, a presidência brasileira propôs fazer o roadmap de implementação este ano”, explicou. O documento deve ser apresentado em partes ao longo de 2026, servindo como guia para cumprir as decisões tomadas anteriormente em Dubai (COP28).

Geopolítica Energética: O Contraste entre EUA e China

Ao analisar a dificuldade global em avançar na agenda energética, o embaixador apontou o imenso impacto econômico e geopolítico do setor. Ele destacou uma divergência clara entre as duas maiores economias do mundo: enquanto a China aposta de forma “clara e brutal” na transição para renováveis, os Estados Unidos mantêm uma postura de preservação do status quo, aproveitando sua posição como maior potência de petróleo e gás.

“A necessidade de transicionar a energia está ligada a reduzir as emissões. Mas há uma reação muito grande dos EUA com relação a renováveis”, observou, mencionando que o interesse americano em minerais críticos pode ser interpretado como uma tentativa de manter vantagem estratégica antes de qualquer mudança estrutural.

O Desafio de US$ 1,3 Trilhão

No campo do financiamento, o Brasil trabalha para aperfeiçoar os números sobre os recursos necessários para a transição dos países em desenvolvimento.

A meta é chegar a US$ 1,3 trilhão ao ano, mas a imprecisão dos dados atuais gera desconfiança entre doadores e receptores.

“Essa imprecisão não ajuda a confiança dos países. Se você não tiver confiança, é impossível conseguir um consenso”, alertou o embaixador.

O Brasil conta com o apoio de um grupo independente de especialistas e de um conselho de economistas criado para a COP30 para tentar distinguir, por exemplo, o que é financiamento climático do que é destinado à biodiversidade.

Chamada Global

Até o dia 31 de março, a presidência da COP30 mantém aberta uma chamada global para receber contribuições de países, ONGs, setor privado e academia sobre os mapas do caminho. As submissões servirão de base para as discussões que o Brasil levará à Turquia em novembro.

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Foto: Bruno Peres/Agência Brasil