Pesquisas dizem: crianças são as mais vulneráveis à crise climática

Estudos mostram que extremos climáticos ameaçam a saúde e a vida de crianças brasileiras.

Publicado em: 12/10/2025 às 10:36 | Atualizado em: 12/10/2025 às 10:37

Duas pesquisas recentes acenderam o alerta sobre os impactos da crise climática na infância. A primeira, realizada pelo Datafolha a pedido da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, mostra que mais de 80% dos brasileiros temem os efeitos das mudanças climáticas em bebês e crianças de até 6 anos. A segunda, conduzida por cientistas da Fiocruz Bahia, UFBA, London School e Instituto de Saúde Global de Barcelona, revela que crianças pequenas correm até 364% mais risco de morrer por frio extremo e 85% mais por calor intenso, em comparação com períodos de temperatura amena.

População reconhece ameaça às crianças

O levantamento Panorama da Primeira Infância: o impacto da crise climática, realizado entre 8 e 10 de abril de 2025 com 2.206 pessoas, indica que 71% dos entrevistados temem pelos impactos na saúde infantil, especialmente pelas doenças respiratórias.

Outros 39% citaram o aumento de desastres naturais, e 32%, a dificuldade de acesso à água e alimentos. Apenas 15% veem na crise uma oportunidade de ampliar a consciência ambiental.

Para a diretora da Fundação, Mariana Luz, o reconhecimento desse risco pela população é um passo importante. “As crianças na primeira infância são as menos responsáveis pela emergência climática e, ainda assim, as mais afetadas. Essa injustiça exige ação urgente e proteção dos adultos”, afirmou.

Extremos de temperatura elevam mortalidade infantil

O estudo publicado no periódico Environmental Research analisou mais de 1 milhão de mortes de menores de 5 anos em 20 anos, com base em dados do SUS e do sistema meteorológico BR-DWGD. Os resultados mostram que bebês de 7 a 27 dias são os mais suscetíveis ao frio extremo, enquanto crianças de 1 a 4 anos sofrem mais com o calor.
Os pesquisadores destacam que as regiões Sul e Nordeste concentram os maiores aumentos de mortalidade por frio e calor, respectivamente, e que a vulnerabilidade é agravada por desigualdades sociais e carência de infraestrutura básica.

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O professor Ismael Silveira, do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, lembra que o Brasil, por suas dimensões e contrastes socioeconômicos, é um “laboratório natural para estudar os impactos do clima”. Ele alerta que, sem políticas públicas voltadas à proteção infantil, as mudanças climáticas continuarão aprofundando desigualdades e colocando em risco a vida das crianças brasileiras.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil